Segundo o Ministério português, a Marinha israelita intercetou parte da flotilha, apreendendo alguns dos barcos, e levou tripulantes e passageiros para o porto de Ashdod, em Israel.
Israel interceta flotilha com ajuda humanitária a centenas de quilómetros de Gaza
AP
Pelo menos três portugueses participam na flotilha 'Global Sumud' para Gaza, avançou esta quinta-feira o Governo, adiantando aguardar que Israel confirme se estavam entre os detidos na interceção de alguns barcos realizada quarta-feira à noite.
Numa publicação no 'site' Portal Diplomático, o Ministério dos Negócios Estrangeiros afirmou ter tomado conhecimento, pela embaixada de Portugal em Telavive, que "pelo menos três cidadãos nacionais integravam a flotilha" de 58 navios que se dirigiam a Gaza para quebrar o bloqueio israelita e levar ajuda humanitária aos palestinianos.
Segundo o Ministério português, a Marinha israelita intercetou parte da flotilha, apreendendo alguns dos barcos, e levou tripulantes e passageiros para o porto de Ashdod, em Israel.
De acordo com um dos ativistas, Nuno Gomes, pelo menos duas médicas, Beatriz Bartilotti e Gonçalo Dias, também estavam a bordo de barcos que compõem a flotilha.
Referindo que "nenhum destes cidadãos ou outros contactou o Estado português para informar da sua participação" na missão, o ministério liderado por Paulo Rangel garantiu que "será prestado todo o apoio consular aos cidadãos nacionais, logo que as autoridades israelitas confirmem a sua detenção".
O Governo adiantou que a embaixada em Telavive está em contacto com as autoridades israelitas "a fim de assegurar que seja dado um tratamento digno a todos os ativistas e em especial aos que tenham nacionalidade portuguesa" e pede a outros portugueses, ou familiares, que integrem a flotilha para contactarem os serviços de emergência consular.
A publicação lembrou que os "Conselhos aos Viajantes" disponíveis na página do Ministério do Negócios Estrangeiros recomendam que se evite viagens não essenciais para Israel e quaisquer deslocações à Faixa de Gaza "em virtude da volatilidade da situação de segurança".
Os ativistas que não foram detidos pela Marinha israelita estão em embarcações ancoradas ao largo da Grécia para avaliar como proceder após a interpelação e à procura de outros navios que foram atacados durante a noite e com os quais não conseguiram contactar, disseram fontes da delegação italiana que integra a iniciativa.
As mesmas fontes indicaram particular preocupação com o paradeiro de alguns barcos cujos motores terão sido danificados por Israel e deixados à deriva.
A relatora especial das Nações Unidas para os Territórios Palestinianos Ocupados, Francesca Albanese, já condenou a abordagem em águas internacionais, acusando Israel de um "'apartheid' sem fronteiras".
"Como é possível que Israel tenha permissão para atacar e apreender navios em águas internacionais mesmo em frente à Grécia, na Europa?", questionou Albanese, numa mensagem publicada nas redes sociais.
"Para além do que se possa pensar sobre o 'apartheid' em Israel e os seus líderes genocidas, isto devia abalar toda a Europa. É um 'apartheid' sem fronteiras", lamentou, referindo-se às abordagens que ocorreram em águas internacionais, a cerca de mil quilómetros da costa de Israel e da Faixa de Gaza.
Entretanto, a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, condenou a apreensão de embarcações da flotilha, onde estavam embarcados 24 cidadãos daquele país e exigiu "a libertação imediata de todos os italianos detidos ilegalmente".
Após a incursão das forças israelitas, estão a ser organizadas manifestações em várias cidades, incluindo Roma, onde foi convocada uma concentração para as 18:00 locais (17:00 em Lisboa), em frente ao Coliseu, em apoio à flotilha.
Desde o frágil cessar-fogo que entrou em vigor em outubro passado na Faixa de Gaza, o exército israelita controla mais de metade do pequeno território palestiniano costeiro, onde o acesso à ajuda humanitária continua a ser amplamente restringido.
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