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Dois veleiros franceses juntam-se a nova flotilha para Gaza

Flotilha internacional pretende romper o bloqueio israelita à Faixa de Gaza.

30 de março de 2026 às 13:40

Dois veleiros franceses partem de Marselha (sul de França) no sábado para se juntarem a uma nova flotilha internacional, com cerca de 100 barcos, que pretende romper o bloqueio israelita à Faixa de Gaza, anunciaram esta segunda-feira os organizadores.

"A nossa mensagem é essencialmente política", disse Claude Léostic, da associação Solidariedade França Palestina (AFPS, na sigla em francês), numa conferência de imprensa, referindo-se à iniciativa como de "solidariedade com o povo palestiniano que está sob genocídio e bloqueio em Gaza, sujeito a atroz violência colonial na Cisjordânia ocupada, incluindo Jerusalém Oriental".

Os dois barcos franceses vão transportar medicamentos e alimentos, disse Léostic, que faz parte da organização da flotilha, que reúne cerca de 30 membros de várias organizações, incluindo a formação da esquerda radical França Insubmissa e sindicatos.

"Com 100 barcos, temos hipótese de alguns passarem", considerou.

"E se alguns passarem e chegarem até Gaza, simbolicamente é extremamente forte, o bloqueio terá sido quebrado", enfatizou, antes de acrescentar: "Os amigos palestinianos que temos em Gaza dizem-nos, 'venham, estamos à vossa espera'".

A flotilha "é o movimento mais forte e mais amigo dos media para manter a Palestina no palco internacional", disse Mériem Hadjal, da organização Waves of Freedom France.

A iniciativa "não é um cruzeiro, é uma abordagem militante, cujos riscos" são medidos pelos participantes, salientou Claude Léostic, referindo-se à guerra israelo-americana contra o Irão e ao conflito no Líbano entre o Hezbollah e Israel.

"Se as coisas se deteriorarem ainda mais no Mediterrâneo oriental, podemos mudar a rota e os prazos", admitiu.

Esta coligação francesa, chamada "Flotilha da Liberdade para Gaza", juntar-se-á às flotilhas dos "Mil Madleens" e à "Flotilha Global Sumud".

"Navegaremos juntos até Gaza" por volta de 20 de abril, disse Claude Léostic.

Está prevista uma paragem de uma semana, no sul de Itália, para uma "formação em não-violência", referiu.

A "Flotilha Global Sumud", que já organizou uma expedição em outubro passado, frustrada pelas autoridades israelitas -- prevê reunir agora 100 embarcações e mais de 3.000 participantes, incluindo portugueses, partindo de Barcelona (leste de Espanha) em 12 de abril, na maior iniciativa deste tipo rumo ao enclave palestiniano.

No outono de 2025, a "Flotilha Global Sumud", então com cerca de 50 barcos, em que seguiam quatro portugueses, além de políticos e outros ativistas como a sueca Greta Thunberg, foi abordada pela marinha israelita, numa ação denunciada como ilegal pelos organizadores e pela Amnistia Internacional.

Perto de cinco centenas de ativistas foram detidos, antes de serem deportados para os respetivos países.

A Faixa de Gaza, governada pelo Hamas, está sob bloqueio israelita desde 2007.

Israel e o movimento islamista palestiniano acusam-se mutuamente de violarem o cessar-fogo que entrou em vigor a 10 de outubro de 2025, após dois anos de guerra.

As acusações de genocídio cometido por Israel contra palestinianos na Faixa de Gaza multiplicaram-se, mas Israel rejeita-as.

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