Carregadores de alta potência, centros de competência internacionais e projetos digitais com alcance mundial. Portugal afirma-se como um dos pilares estratégicos da Siemens e Sofia Tenreiro considera que a confiança é o maior acelerador desta transformação
O polo industrial de Corroios, ligado à mobilidade elétrica e a ganhar um papel alargado na rede global da Siemens, tem para o grupo, “uma relevância estratégica grande”, referiu Sofia Tenreiro, no programa Economia Sem Fronteiras, do canal Now, porque “o mundo caminha para a eletrificação, por isso precisamos de auxiliar as empresas a acelerar esta eletrificação e acreditamos que a confiança é um dos grandes aceleradores, ou pode ser a falta de confiança um bloqueador”.
Para este processo são essenciais carregadores de alta potência produzidos na fábrica de Corroios, que, além da produção, tem Investigação & Desenvolvimento (I&D), manutenção, vendas e serviços. Adiantou que “conseguimos trazer a produção da fábrica de Leipzig para Portugal, que passou a ser a fábrica da Siemens que serve globalmente este tipo de carregadores de alta potência”.
Portugal também acolhe centros de competência internacionais da Siemens, o que inclui o Portugal Tech Hub e estruturas centrais de investigação e desenvolvimento, que, segundo Sofia Tenreiro, “são funções de elevado valor acrescentado”.
Salientou que os campus de Alfragide e do Porto da Siemens são uma amostra da diversidade e do talento altamente especializado, com cerca de 500 estrangeiros. Sofia Tenreiro explicou que o talento recrutado nas universidades passa três meses em formação em sala, a que se segue formação em projeto durante os restantes nove meses. “Conseguimos alavancar na excelência e na qualidade das universidades e depois ainda os fortalecer com uma série de capacidades técnicas. Mas também com soft skills e atitudes, que fazem muita diferença, como a irreverência, a resiliência, a proatividade, a vontade de resolver os problemas e o espírito de colaboração”.
Sofia Tenreiro referiu ainda o efeito comunidade da Siemens, que as 4300 pessoas do grupo constituem. “São pessoas que, apesar de trabalharem em projetos separados, em áreas diferentes, acabam por estar no mesmo sítio e, através da partilha de know-how e de conhecimento, a inovação é mais rápida e exponencia o resultado”.
A presidente executiva da Siemens Portugal deu o exemplo de projetos desenvolvidos a partir de Portugal para utilização global no grupo. O primeiro é o Digital Business Optimizer, uma plataforma digital para a Siemens Financial Services, uma divisão que apoia e financia projetos. Esta plataforma permite que, por meio de um endereço, qualquer PME nos Estados Unidos fique a “perceber quais são as emissões do edifício e sugerir um plano de redução das emissões com indicação dos custos, das eficiências, dos vários cenários, dos planos e conseguimos depois financiá-los”. Por outro lado, a Bionic Agent, uma superassistente digital, “permite simplificar uma série de tarefas, receber muita informação de vários formatos e depois responder de acordo”, concluiu Sofia Tenreiro.
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