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Web Summit quer dar mais visibilidade às startups

A atração de investimento, a criação de oportunidades para as startups e a internacionalização das empresas portuguesas são dimensões centrais do impacto do Web Summit no ecossistema de startups portuguesas, que já representa mais de 1% do PIB

03 de novembro de 2026 às 10:58

A escolha de Lisboa para sediar o Web Summit foi anunciada em 2015, e o que pesou “verdadeiramente na decisão de trazer o Web Summit foi o próprio ecossistema de startups. Quando o Paddy Cosgrave, CEO do Web Summit, colocou, na altura, no Twitter, a pergunta sobre para onde é que o Web Summit deveria ir a seguir, houve um movimento fortíssimo por parte do ecossistema nacional a dizer que queriam que viesse para Lisboa”, recorda Artur Alves Pereira, vice-presidente e country manager do Web Summit para Portugal e Brasil. A esta onda juntaram-se depois o apoio do Governo e da Câmara Municipal de Lisboa, que ajudaram a vencer a concorrência de seis cidades, entre as quais Berlim, Paris e Londres.

Desde a primeira edição portuguesa, em 2016, o encontro tornou-se uma plataforma de contacto entre startups, investidores e grandes empresas. Na entrevista conduzida por Miguel Frasquilho, anfitrião do programa Economia Sem Fronteiras, no canal NOW, Artur Alves Pereira sublinha que o sucesso não se resume à dimensão do evento, porque “o nosso objetivo realmente é crescer em qualidade, tendo em conta a limitação da infraestrutura que temos”.

Uma das respostas tem sido a multiplicação de encontros entre participantes, os chamados meet-ups, concebidos para facilitar contactos com potencial para gerar negócios, parcerias e investimento. Em 2025, realizaram-se mais de 400 meet-ups, iniciativas destinadas a aproximar participantes com interesses comuns e a criar oportunidades concretas de cooperação. “Todos os anos temos criado mais meet-ups, para garantir que mais pessoas consigam tirar resultados positivos”, explica.

Acrescenta que “a qualidade mede-se de várias formas, tanto pela qualidade das pessoas que estão no evento como pela qualidade da experiência e das pessoas que conhecem, porque o objetivo fundamental é criar relações entre as pessoas que promovam os negócios, o crescimento económico e o investimento”.

Para Artur Alves Pereira, o core business do Web Summit são as startups que inovam e trazem tecnologias disruptivas, constituindo uma medida do seu sucesso. “Temos 3.000 startups a exibir. Mas não nos podemos esquecer de uma coisa: para além das startups que exibem, temos muitos fundadores de startups no evento, que serão cerca de 10 mil”, sustenta.

Ecossistema de startups

O programa Alpha, dedicado a startups, é outro instrumento dessa estratégia. Artur Alves Pereira recorda o caso da Revolut, que participou no Web Summit com um espaço de exposição de apenas um metro quadrado, antes de se tornar um dos grandes nomes internacionais da tecnologia financeira. “O nosso objetivo é dar visibilidade às startups para poderem mostrar os seus produtos e serviços, as suas tecnologias, estar com os investidores e com as grandes empresas, e terem interações que permitam estabelecer parcerias ou vender os seus produtos”, assinala Artur Alves Pereira.

Os resultados podem ser expressivos. “Comparando as 200 startups que participaram no programa Alpha do Web Summit em 2024, estas levantaram 715 milhões de dólares nos meses seguintes à participação”, refere Artur Alves Pereira, citando uma análise realizada em parceria com a Crunchbase. O valor ilustra a importância do acesso ao capital, embora o desafio para Portugal seja conseguir que mais empresas nacionais beneficiem destas oportunidades e atinjam uma dimensão internacional.

O ecossistema português de startups representa já pouco mais de 1% do PIB, segundo os relatórios da Startup Portugal mencionados pelo responsável. Para Artur Alves Pereira, porém, o país precisa de desenvolver o investimento disponível para financiar o crescimento das empresas. “Tem sido sempre um pouco o nosso calcanhar de Aquiles a área do investimento nacional nas startups”, reconhece.

Considera que “as startups portuguesas, quando o Web Summit acontece, jogam em casa. Têm muito menos custos, por exemplo, para participar e estar no evento. Depois têm a Startup Portugal, a AICEP e o IAPMEI, que as ajudam a estabelecer contactos, além da rede de eventos que o Web Summit hoje já tem e da parceria em que levamos várias startups portuguesas para fora, para as ajudar também neste processo de internacionalização”.

Os números de uma década de crescimento em Lisboa

O Web Summit nasceu em Dublin, na Irlanda, em 2009. A mudança para Lisboa foi anunciada em setembro de 2015 e a primeira edição portuguesa realizou-se em 2016, no Parque das Nações. No primeiro ano, o Web Summit teve cerca de 53 mil participantes e, em 2025, foram mais de 71 mil, uma subida de 34,5%. Nos dois anos da pandemia, em 2020 realizou-se uma edição online e, em 2021, uma edição híbrida.

Em 10 anos, o número de startups subiu quase 83%, para 2.725, e o número de investidores cresceu 165%, para 1.857. Além disso, estiveram presentes todos os anos participantes de cerca de 150 a 160 países. Segundo Miguel Frasquilho, nas edições presenciais, o evento estabilizou nos últimos anos em torno dos 71 mil participantes, por limitação dos passes, uma vez que a ampliação da FIL prevista no acordo de 2018 não foi concretizada. O ecossistema português apresenta indicadores positivos. Nos últimos três anos, o número de startups ativas cresceu 25%, o volume de negócios aumentou quase 25%, as exportações avançaram mais de 20% e o emprego subiu 12%.

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