“A IA precisa de uma regulamentação e de uma verificação dos seus outputs”

Paulo Moita de Macedo defende que a inteligência artificial terá impactos positivos na eficiência das empresas e na redução de custos, mas alerta que a sua adoção exige regulação, verificação dos resultados e uma visão que vá além das melhorias incrementais.

11 de junho de 2026 às 09:15
Paulo Moita de Macedo referiu que a inteligência artificial pode aumentar a eficiência das empresas, mas alertou para a necessidade de regulação, verificação dos resultados e maior previsibilidade económica. Foto: Vítor Nemo
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A inteligência artificial pode aumentar a eficiência das empresas e reduzir custos, mas a sua adoção exige regulação, verificação dos resultados e objetivos claros. “A inteligência artificial tem diversas aplicações e diversos estádios de desenvolvimento consoante as áreas. Mais na área financeira, no direito, na medicina; menos na construção civil, menos, como parece óbvio. Portanto, a inteligência artificial não é uma resposta para tudo e precisa de uma regulamentação e de uma verificação de todos os seus outputs. Por isso, precisamos de saber exatamente o que pretendemos da inteligência artificial”, disse Paulo Moita de Macedo, presidente executivo da CGD, durante o Encontro Fora da Caixa, realizado no Cine-Teatro de Almeirim, no qual também foram galardoadas as empresas vencedoras da 3.ª edição dos Prémios Caixa ESG.

O presidente executivo da CGD considerou que, em Portugal, são as maiores empresas e as médias empresas que estão a fazer formação. “Mas, depois, é preciso saber quais são os objetivos da empresa para a sua sustentabilidade e para a IA. Porque uma boa adoção pode levar a uma eficiência muito grande e a melhores outputs”, afirmou Paulo Moita de Macedo. Na sua perspetiva, “temos uma eficiência que está a ser maior e um crescimento sob pressão para o qual a inteligência artificial vai concorrer e contribuir. A IA tem mais questões positivas do que negativas. Significará uma redução de custos, mas isto, por si só, não chega, porque não podemos estar num mundo apenas de redução de custos e de melhorias incrementais”.

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IA é mais eficiência

Paulo Moita de Macedo salientou que “hoje em dia todas as empresas procuram utilizar a inteligência artificial, basicamente todos estão convencidos de que a inteligência artificial vai trazer maiores eficiências às empresas, mas ainda se está para ver como”. Por isso, fez referência aos biliões de euros de investimento que as empresas tecnológicas norte-americanas e a China estão a fazer, dominando de forma avassaladora a sua cadeia de valor.

Alertou ainda que “uma infraestrutura essencial para a IA é a dos data centers, que consomem muita energia”. Acrescentou que “os data centers são ótimos, permitem o nosso desenvolvimento, entrar numa outra parte tecnológica, permitem a criação de empregos. Primeiro, as pessoas acham muito interessante que os data centers venham; depois, começam a ver o que gastam, quais são os riscos”.

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Para Paulo Moita de Macedo, “as tarifas vieram para ficar, mas há uma grande diferença entre as tarifas anunciadas e as aplicadas. No entanto, grande parte das empresas, como as portuguesas, é afetada por uma falta de previsibilidade. Aprendemos que as economias gostam de previsibilidade, o que, neste mundo incerto, é bastante difícil”. “A questão da deriva geopolítica” e as alterações na ordem mundial são hoje fatores determinantes para a sustentabilidade das empresas, afirmou, sublinhando que os impactos vão desde o aumento dos custos de transporte até à necessidade de repensar fornecedores e mercados de exportação.

O talento e a sustentabilidade

No plano empresarial, Paulo Moita de Macedo identificou ainda uma preocupação crescente com a captação e retenção de talento. Entre os riscos mais relevantes apontados pelas empresas surgem já, ao lado das questões geopolíticas, as dificuldades em assegurar recursos humanos qualificados. “Se eu consigo ou não captar o talento suficiente para as minhas organizações” tornou-se uma das grandes interrogações dos gestores.

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A sustentabilidade foi igualmente destacada como prioridade estratégica da Caixa Geral de Depósitos. O banco tem aumentado o peso do financiamento sustentável na sua carteira de crédito, tanto às empresas como à habitação, privilegiando projetos e ativos com melhor desempenho ambiental. Recordou ainda o papel pioneiro da instituição na emissão de obrigações sociais e verdes no mercado português, enquadrando estas iniciativas no compromisso da Caixa com a transição energética e a responsabilidade social.

A perda de produtividade da Europa face aos Estados Unidos continua a ser uma preocupação central e exige, segundo Paulo Moita de Macedo, investimentos de grande escala em inovação, defesa, energia e semicondutores. Ao mesmo tempo, alertou para os efeitos da excessiva carga regulatória e para a dificuldade europeia em realocar recursos para atividades mais produtivas. “Se mantiver tudo, o resultado não vai ser diferente”, observou, defendendo uma maior capacidade de adaptação económica.

A evolução demográfica representa outro desafio estrutural. Com uma população envelhecida e taxas de natalidade insuficientes para assegurar a renovação geracional, as empresas terão de prolongar a permanência dos trabalhadores mais experientes no mercado laboral e adaptar-se a uma realidade em que a mão de obra será cada vez mais escassa.

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