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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Inspetor da PJ que baleou menor recebe louvor e acaba promovido

Luís Robalo disparou contra jovem de 14 anos que espreitou para terraço. Acabou no banco dos réus.

12 de junho de 2026 às 01:30

O caso aconteceu na noite de 28 de maio de 2018 na Urbanização Colinas do Cruzeiro, em Odivelas. Ivan Santos, na altura com 14 anos, vinha de um jogo de futebol na Pontinha com um grupo de cinco amigos e caminhava em direção a uma pizaria.

Segundo o MP, o jovem ouviu “um cão a ganir” e “subiu a uma caixa de eletricidade”, com o objetivo de espreitar para o “interior do terraço”. Mas a mulher do inspetor da PJ Luís Robalo estava a estender roupa e gritou assustada quando viu a cabeça do adolescente a aparecer sobre a vedação. Foi aí que surgiu Luís Robalo, que gritou e os jovens fugiram de imediato. O inspetor foi buscar a arma de serviço ao carro e encetou perseguição, disparando até atingir Ivan.

O caso só começou a ser julgado no final de janeiro deste ano no Tribunal de Loures. Desde que ocorreram os disparos, Luís Robalo já recebeu um louvor e, no ano passado, foi promovido.

No louvor, datado de 21 de junho de 2024, é dito que Luís Robalo “contribuiu decisivamente, com elevado espírito de entrega e dedicação, para a investigação e recolha de prova de vários crimes patrimoniais complexos e violentos - roubos com arma de fogo - entre 2018 e 2020”.

No ano passado, em abril, Luís Robalo acabou promovido a inspetor-chefe.

Na primeira sessão de julgamento, o inspetor - que foi acusado pelo Ministério Público por ofensas à integridade física - assumiu os disparos e pediu desculpas à vítima.

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