Feira de Março mostra vitalidade e regista mais visitantes

Arranque histórico, mais famílias no recinto e um cartaz forte mantêm Aveiro em festa até ao final de abril.

07 de abril de 2026 às 12:05
Feira de Março em Aveiro atrai visitantes e famílias ao recinto
Feira de Março regista mais visitantes em Aveiro, com famílias e cartaz forte
Feira de Março regista mais visitantes em Aveiro, com famílias e cartaz forte

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Há uma ideia feita, repetida ano após ano, de que a Feira de Março, por norma, traz a chuva a Aveiro — quase como se fizesse parte do pacote. Mas, contra a tradição, estas primeiras duas semanas desafiaram o cliché: o sol apareceu, as temperaturas alinharam-se com o espírito do evento e o recinto encheu-se com outra disposição. Não é segredo que todos os anos a organização pede um “São Pedro” parceiro do evento, mas desta vez a ‘ajuda’ parece ter sido concedida. E quando o tempo ajuda, a feira também cresce, dando ainda mais visibilidade a uma edição que confirma capacidade de adaptação e deixa claros sinais de ambição: mais público, mais conforto, mais programação — e uma cidade inteira quase a viver em torno do recinto.

Os primeiros dias foram tudo menos mornos. O arranque histórico, com cerca de 24 mil visitantes logo no primeiro domingo, não passou despercebido nem à autarquia nem aos comerciantes, que falam de um “efeito multiplicador” evidente no centro urbano. Restaurantes cheios, hotéis a bom ritmo e uma circulação constante entre o coração da cidade e o Parque de Exposições confirmaram aquilo que Aveiro já suspeitava: a Feira de Março deixou há muito de ser apenas “a feira”.

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Parte dessa mudança explica-se pela aposta clara na experiência do visitante. A nova tenda de alimentação, mais ampla e organizada, tornou-se rapidamente um dos pontos mais procurados do recinto. Famílias inteiras escolhem ali fazer pausas mais longas, num sinal claro de que a feira está hoje pensada para permanências prolongadas e não apenas visitas rápidas. Também o crescimento do bilhete família — já responsável por cerca de 20% das entradas — aponta para um evento cada vez mais intergeracional.

A música tem sido, como sempre, o grande chamariz mediático. O último fim de semana confirmou a lógica de cartaz transversal: de Bárbara Bandeira ao funk brasileiro de MC Ryan SP, passando pelo momento particularmente concorrido dos Sons do Minho na tarde de segunda-feira de Páscoa. Concertos diferentes, públicos diferentes — e uma mesma lotação preenchida.

Mas a feira não vive apenas de noites grandes. Nos dias menos óbvios, são as associações, as tunas académicas, os ranchos folclóricos e as demonstrações desportivas que dão corpo à programação. Um detalhe que raramente faz manchetes, mas que sustenta o carácter identitário do evento: a Feira de Março continua a ser palco da comunidade, não apenas da indústria do espetáculo.

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Até 26 de abril, o cartaz guarda ainda nomes fortes que ajudam a manter o ritmo elevado. Sara Correia e Marisa Liz trazem dois registos muito distintos da música portuguesa contemporânea; Lon3r Johny e Napa falam diretamente para públicos mais jovens; Fernando Daniel e Wet Bed Gang prometem encerrar a feira em ambiente de lotação máxima. Pelo meio, continuam os dias de entrada gratuita, os carrosséis em permanência e a exposição económica que justifica, desde há quase seis séculos, a razão de ser da Feira.

Num tempo em que muitos eventos locais lutam para se manter relevantes, Aveiro parece ter encontrado uma fórmula eficaz: tradição bem comunicada, crescimento controlado e uma programação que não esquece quem lá vai todos os anos — nem quem chega pela primeira vez. A Feira de Março não é apenas antiga. É, cada vez mais, atual.

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