Empresas deverão identificar os serviços de rede privada virtual que os russos estão a utilizar para contornar a censura à internet imposta pela tutela do país.
As autoridades russas ordenaram às principais empresas tecnológicas do país para identificar os serviços de rede privada virtual (VPN) utilizados pelos cidadãos para contornar a censura na internet no país, divulgou hoje o jornal RBC.
As empresas tecnológicas deverão identificar, através das suas aplicações instaladas nos dispositivos dos cidadãos russos, as VPN que os organismos de censura russos ainda não conseguiram rastrear ou restringir.
O Ministério do Desenvolvimento Digital russo, autor da iniciativa, estipula que o rastreio começará com os dispositivos que executem os sistemas operativos Android e iOS (Apple), mas reconhece a dificuldade de rastrear este último, uma vez que "o acesso aos parâmetros do sistema iOS é significativamente limitado".
As diretrizes, cujo documento e autenticidade foram verificados pelo jornal russo, foram distribuídas após reuniões recentes entre o Ministério do Desenvolvimento Digital e algumas das maiores empresas digitais da Rússia, incluindo a Sber, Yandex, VK, Wildberries, Ozon, Avito e X5, entre outras, num total de cerca de vinte.
Na reunião, o ministro Maxut Shadayev instruiu as empresas para restringirem o acesso à internet aos utilizadores com VPN ativas a partir de 15 de abril.
As empresas que continuarem a prestar serviços a utilizadores com VPN ativas perderão a sua acreditação como empresa tecnológica. Esta acreditação concede uma série de benefícios, incluindo vantagens fiscais, e permite ainda que as empresas sejam incluídas em listas brancas --- uma lista de portais e aplicações isentos de bloqueios de Internet ordenados pelo Kremlin em todo o país.
Muitos destes aplicativos já vêm pré-instalados em telemóveis vendidos na Rússia.
Perante a contínua censura e as medidas de bloqueio da internet, Pavel Durov, criador do Telegram --- uma das aplicações de mensagens mais utilizadas na Rússia --- apelou à resistência digital dos cidadãos no passado fim de semana.
Durov, que já enfrentou problemas legais na Rússia devido à sua aplicação digital, comparou as tentativas das autoridades russas de bloquear a internet com as realizadas pelo Irão, onde tentativas semelhantes de o banir não tiveram sucesso.
O empresário, de 41 anos, também enfrentou problemas legais em França no ano passado devido às políticas de privacidade do Telegram.
Com o início da guerra na Ucrânia em 2022, o Governo russo aumentou os níveis de censura política e de informação, mas o ponto de viragem ocorreu em 2025, quando se iniciou o bloqueio massivo do acesso à internet em várias regiões do país.
Entre 06 e 24 de março, a internet móvel no centro de Moscovo esteve inacessível. As autoridades justificaram as interrupções com uma lei recente que obriga as operadoras a cortar o acesso à rede a pedido do Serviço Federal de Segurança da Rússia (FSB).
Anteriormente, aplicações como o YouTube, Instagram e X, entre muitas outras, já tinham sido bloqueadas e só podem ser acedidas através de VPN. O mesmo se aplica ao acesso a órgãos de comunicação social ocidentais e de oposição, cujos portais estão bloqueados na Rússia.
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