ADRIANA CALCANHOTTO ENCANTA O PORTO

Na estreia de uma longa digressão portuguesa, Adriana Calcanhotto devolveu-nos, sexta-feira num lotado Coliseu do Porto, a alegria de uma arte musical, que cada vez mais harmoniza a pop com a vanguarda, aliando a estética da expressão com a energia da comunicação.

15 de junho de 2003 às 00:00
ADRIANA CALCANHOTTO ENCANTA O PORTO Foto: Márcia Lessa
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Perante uma plateia seduzida pela vibração da cantada, a diva da voz meiga e doce balançou a cadência da sua nova bossa, onde os arrojos da electrónica se casam com as sobriedades acústicas.

Na verdade, o espectáculo "Cantada" espraia-se em três tempos, qual deles o "mais feliz". Na primeira secção, manejando a guitarra eléctrica, Calcanhotto cantou "Programa", "Mais Feliz" - com um tributo ao viola-baixo Dé Palmeira-"Justo Agora"e "Cantada", entre a suavidade lírica e o swing melódico.

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Em "Pelos Ares", a cantora ofereceu um dos apogeus do concerto, em que as batidas programadas soavam um tango, ao estilo do Gotan Project. "Noite", por seu lado, fez dela um crooner suave, acompanhada pelo piano de Roberto Pollo, enquanto desaparece atrás do cenário que lembra as telas de Mondrian

E Adriana reaparece para a fase "banquinho e violão". Embora tenha insistido no super hit "Devolva-me", não deixou pela "Metade" a interpretação despojada de "Music", o samba-reggae techno de Madonna, "Calor"- com Dé suprindo a ausência da guitarra portuguesa - e de sua versão límpida de "Fico Assim sem Você", do duo Claudinho & Bochecha.

Relativamente aos concertos brasileiros, optou por descartar pérolas da música brasileira como "Favela"(gravada por Jards Macalé) e "Alegria", do seu querido Assis Valente, que não se estranhe sejam incluídas em próximos registos seus.

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EQUILÍBRIO

Mas foi na terceira parte que Adriana provou a clareza do seu "preto no branco", o equilíbrio da fusão pop-vanguarda. Revisitando os grandes sucessos "Inverno", "Vambora", e "Mentiras", Adriana iluminou o palco com uma deslumbrante prestação do hino "Esquadros", enquanto o cenário fervilhava, tingido pelas cores de Frida Kahlo.

A felliniana "A Mulher Barbada" ainda teve pujança para "um amor aqui no Porto", entoando "Maresia"(do parceiro António Cícero), numa primorosa releitura, que sublinha uma contagiante batida house.

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Após a maresia do Porto, Adriana vai pelos ares até Angra do Heroísmo, onde canta amanhã dando continuidade a uma digresão lusa, que compreende dez espectáculos. Seguem-se concertos em Coimbra (dia18), Loulé (19), Évora (20), Mértola (21) e Lisboa (23,24 e 25).

A fábrica de poemas da cantora originou em Portugal a publicação de um livro. Edição da Quasi, "Algumas Letras" reúne 45 letras de canções, um auto-retrato e textos de Imprensa, prolongando assim o fascínio de quentes noites turquesas, encantadas "depois de ter você ".

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