Alain Oulman: o homem que reinventou o fado de Amália
Documentário premiado no DocLisboa faz o retrato sensível do compositor da diva do fado. E mostra as mil caras de um artista ímpar.
Silêncio, que se vai cantar o fado. E vai-se ficar a conhecer o homem por detrás dos maiores sucessos de Amália.
Alain Oulman pode ainda ser um nome desconhecido de muitos mas é a ele que se deve a reinvenção do nosso fado. Artista ímpar de múltiplos talentos, ele é, volvidos que estão 20 anos sobre a sua morte, (eternamente) merecedor dos mais rasgados elogios.
Em ‘Com que Voz', documentário premiado no DocLisboa de 2009 com o galardão de Melhor Primeira Obra de Longa-Metragem, faz-se o elogio ao talento e ao dinamismo de um verdadeiro homem dos sete ofícios.
Pelo olhar e edição repleta de senso e sensibilidade do filho, Nicholas Oulman, conta-se em mil palavras de amigos e conhecidos quem era o homem que compôs os maiores êxitos da diva do fado.
Esta quarta-feira, o filme teve antestreia para fadistas num cinema de Lisboa. Alguns deles, como Camané e Carminho, participaram no rol de entrevistas que Nicholas compilou em duas horas de uma viagem envolvente pela vida do pai. Compositor exímio, Alain foi também um editor de renome, encenador de gabarito.
(re)Descoberto nos depoimentos de familiares e figuras ilustres como Mário Soares, Amos Oz, Manuel Alegre, Raul Solnado, João Perry, entre tantos outros, ‘Pitou' - como era conhecido em família - conquista uma dimensão que o imortaliza.
Como imortal será a relação exclusiva com Amália, perpetuada em êxitos editados - e outros não, como ‘Soledad', canção que encerra o filme num ensaio que faz reviver o compositor e a fadista. Uma ligação de deferência e respeito e admiração mútuos que toca em cada nota de mais um fado. Que apetece voltar a ouvir. E ver.
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