ANTÓNIO VARIAÇÕES COMO NUNCA NINGUÉM OUVIU
As canções de António Variações que nunca ‘ninguém ouviu’, vão ver a luz do dia num disco inédito a editar a 6 de Dezembro. As vozes são de Camané, David Fonseca e Manuela Azevedo, os ‘Humanos’ – título do álbum – que tiveram a seu cargo a missão de ‘ressuscitar’ a alma e o génio de Variações.
O material inédito, espalhado por cerca de 43 cassetes e bobinas semiprofissionais gravadas artesanalmente, esteve durante anos ‘esquecido’ (ou será escondido?) num caixote, que viria a ser descoberto há dez anos pelo irmão do cantor, Jaime Ribeiro.
Pondo fim às mais variadas lendas sobre a existência ou não de temas que Variações não teve tempo de editar, Jaime Ribeiro confiou o legado musical à editora do cantor, com a promessa desta lhe dar um destino condigno.
Entre os corredores da EMI-VC nasceu então a ideia de fazer algo que correspondesse ao sonho de António Variações: Um disco pop “entre Braga e Nova Iorque”, como tantas vezes se referia à sua música.
Impunha-se, contudo, uma sensibilidade extrema para desbravar e seleccionar o espólio registado nessas 43 gravações, bem como descobrir uma forma de o fazer chegar ao público à falta do seu criador original. A missão coube a Paulo Junqueiro, director artístico da editora e ao crítico Nuno Galopim.
‘Dado o seu estado bruto, ouvir este material foi entrar profundamente na intimidade do António. Muitas gravações são apenas de voz, outras com caixas de ritmos. Como não tocava nenhum instrumento, Variações terá ainda pedido a alguém para o acompanhar à guitarra em alguns momentos. Descobrir tudo isto é um processo muito emocionante e, ao mesmo tempo, complicado. Questionámos se terá sido por falta de tempo que Variações nunca editou estas canções e qual a forma que elas tomariam nas suas mãos’, contou Junqueiro ao CM.
“EQUIPA DE SONHO”
“Pela temática das canções pareceu óbvio que deveríamos convidar uma voz feminina e outra masculina para cantar. Os nomes da Manuela Azevedo e do Camané surgiram quase por instinto, tal como os produtores, o Hélder Gonçalves (Clã) e o Nuno Rafael (Sérgio Godinho). Este último trabalha habitualmente com o Sérgio Nascimento que, por seu turno, toca com o David Fonseca. Surgiu assim uma equipa de sonho, que conseguiu concretizar o tal disco ‘de Braga a Nova Iorque’ ao invés de fazer um simples tributozinho”.
Um dos membros da ‘equipa de sonho’, Camané, que interpreta quatro dos temas (’Quero é Viver’, Rugas’, Mª Albertina’ e ‘Adeus que me Vou Embora’) explicou a sua presença no disco ao CM. “Eu adorva a música do Variações. Ele amava o Fado. Inicialmente estava até um pouco inseguro em abordar este material, por não ser fado, mas depois a interpretação fluiu naturalmente. Não dei importância a mim mesmo, mas sim às canções do António Variações”.
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