ARTISTA E MINISTRO
Só podia mesmo ser no país de Vinícius de Moraes, o poeta diplomata e boémio, autor do sublime ‘Operário em Construção’ e de muitas invectivas contra os ‘cartolas’.
O Brasil imenso que elegeu um operário para presidente, está também a inovar com a escolha de um artista para ministro da Cultura. E não se trata de uma qualquer passagem à política, porque mesmo depois de ministro, Gilberto Gil continuará, duas vezes por mês, a dar os seus espectáculos como artista.
A aposta é emblemática: Gilberto Gil não é do Partido dos Trabalhadores de Lula, mas é da Cultura; é negro e da Baía, não sabe o que é um Ministério, mas vai ser o ministro. E o importante é que não se torne num ‘cartola’, mas continue a ser negro, baiano, músico e cantor. No palco, será sempre artista, homem da Cultura, e nunca o homem que trata da Cultura. A diferença é tudo. Só resta saber no que vai dar.
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