Aznavour: Último grande cantor de França sai de cena
Ícone morreu em casa, aos 94 anos, pouco depois de ter voltado de uma tournée no Japão.
Foi há dois anos que Charles Aznavour se despediu do público português, com um concerto emotivo na Altice Arena, Lisboa. Na altura, com 92 anos, lembrava que os críticos que tinham escrito que ele já não tinha voz para cantar estavam mortos, enquanto ele continuava no lugar de que mais gostava: no palco. Mas ninguém vive para sempre. Nem sequer Charles Aznavour.
O último grande vulto da canção francesa morreu na sua casa de Alpilles, na Provença, na madrugada de domingo. Aos 94 anos, tinha acabado de regressar de uma tournée pelo Japão, depois de uma paragem forçada no verão por causa de um braço partido.
Nascido em França, filho de pais arménios e batizado com o nome Shahnourh Varinag Aznavourian, decidiu cedo que ia ser artista. Aos nove anos adotou o nome artístico de Charles Aznavour e estreou-se no teatro.
Aos 22 foi ‘descoberto’ por Edith Piaf, que ajudou a lançar-lhe a carreira. Ironicamente, o sucesso começou a moldar-se no estrangeiro, que se rendeu ao seu talento, e a década de 50 foi de viragem: em 54 fez uma temporada no Moulin Rouge; em 55 cantou pela primeira vez no Olympia e gravou o primeiro êxito, ‘Sur Ma Vie’.
O resto são cantigas. Ao longo de mais de 70 anos, Charles Aznavour escreveu mais de mil canções em cinco línguas diferentes (francês, inglês, italiano, espanhol e alemão), vendeu mais de 180 milhões de discos, percorreu o Mundo a entoar êxitos como ‘La Bohème’, ‘Que c’est triste Venise’ ou ‘Emmenez-Moi’.
Ainda teve tempo de fazer cinema, e entre os papéis mais notáveis contam-se ‘Disparem sobre o Pianista’, de Truffaut (1960) e ‘Ararat’, de Atom Egoyan (2002). Na Arménia, onde doou milhões para reconstruir o país após o sismo de 1988, é um herói.
Nos últimos meses, teve vários problemas de saúde, mas recusava-se a parar. "Eu não sou velho. Tenho muita idade. É diferente", dizia.
SAIBA MAIS
1957
foi o ano em que o jovem Charles Aznavour escreveu um fado para Amália Rodrigues. ‘Aïe mourir pour toi’ foi a canção com que tentou exprimir a sua admiração pela estrela lusa.
Problemas com a Justiça
Como tantos outros artistas, no início da década de 70 Charles Aznavour mudou a sua residência fiscal para a Suíça, para pagar menos impostos. Em 1979, o Estado francês condenou-o a pagar três milhões de francos franceses (à época) e a um ano de cadeia com pena suspensa, por evasão fiscal.
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