Tempestade 'Kristin' arrasou com a casa da família, em Ourém. Passaram três meses e meio. Maria, Manuel e o filho, Nelson, ainda vivem num apartamento da autarquia.
Maria, Manuel e o filho, Nelson, perderam tudo. Atualmente, estão num apartamento de emergência providenciado pela Câmara Municipal de Ourém. Foi lá que encontraram um porto seguro, depois da tempestade ‘Kristin’ ter destruído a casa que tinham, na aldeia de Pederneira. Apesar de todos os esforços, a habitação ainda está a céu aberto em alguns pontos da cobertura. Naquela madrugada de 28 de janeiro, mãe e filho refugiaram-se na casa de banho, completamente aterrorizados e a temer o pior. Maria recorda emocionada o pedido do filho: “Mãe, não me deixes morrer”.
A mesma habitação que lhes deu abrigo durante todos estes anos também foi aquela que tiveram de abandonar. Apesar das perdas sofridas, há algo que permanece intacta: a fé. “O que nos protegeu foi a Nossa Senhora que eu lá tenho. Deus recolheu-nos no seu manto. Se não fosse isso, não estávamos aqui”.
Sem telecomunicações, o casal ficou isolado e não conseguiu pedir ajuda. Maria, Manuel e o filho, Nelson, permaneceram em casa, a viver no meio dos destroços, cerca de quatro dias, até serem resgatados pelos serviços sociais da câmara. “Deixei lá tudo, mas o que me interessou foi estar viva. Não é fácil. Agora aquilo está tudo podre, tudo esburacado, nem vale a pena”, recorda.
O casal tenta gerir toda a montanha russa de emoções, principalmente por causa do filho. Nelson é autista e a verdade é que todas estas mudanças se refletem muito no seu comportamento. A família vive da agricultura e dos biscates que Manuel vai fazendo. Os recursos financeiros são escassos, mas a gratidão pela ajuda que têm recebido é imensa. “Se eu tivesse possibilidades... Já não peço por mim, porque é muito escuro. Mas ainda dou graças em ter um tecto. Agradeço ao mundo, ao povo e à comunidade”. A casa já não tem condições de habitabilidade e a falta de verbas financeiras coloca a dúvida: qual será o destino final desta família?
Adília Pires vive uma situação semelhante. Ainda não pôde regressar a casa e não sabe quando o poderá fazer. Atualmente, vive num quarto que arrendou, no centro da cidade, mas não consegue esquecer a dor de ver a casa dos pais, em Fontainhas, na freguesia de Seiça, completamente arrasada. “Gostava de reconstruí-la para homenagear os meus pais. Vieram de Moçambique com a roupa que tinham no corpo e passado estes anos todos, eu fiquei na mesma situação”, explica.
No interior da casa há baldes espalhados com água acumulada que cai do teto. Os estragos no interior da moradia são grandes e Adília Pires, que está desempregada, não sabe como vai fazer para reparar tudo. “Só mesmo tendo ajuda, de outra maneira não consigo. Tenho algumas telhas, mas preciso do madeiramento todo”. Já sobre os apoios prometidos pelo Estado, ainda não teve qualquer resposta. “Estou a aguardar. De vez em quando vou ver ao portal e diz que ainda está em análise”, explica.
"Todos os dias eles perguntam: Quando vamos para casa?"
Até agora pouco mudou na vida de Fátima Sousa e da família. Para já, ainda não há uma previsão para regressar a casa, na Sorieira, em Ourém. Com a ajuda de associações, o casal já conseguiu materiais para colocar a cobertura da moradia e avançar nos trabalhos. As únicas ajudas que tardam em chegar são mesmo as verbas prometidas pelo Estado para auxiliar na reconstrução das habitações. “Preenchi todos os requisitos, aguardei respostas, mas não as tive”.
Entre destroços e memórias de uma vida, o casal luta para poder dar novamente um porto seguro aos filhos. “Todos os dias eles perguntam: 'Quando vamos para casa?' O mais pequenino arranjou um garrafão de plástico, recolhe as tampinhas das frutas e diz que quando estiver cheio é hora de voltar para casa. É claro que eu tenho de ir por trás e tirar, se não vai chegar ao topo e nós ainda não estamos na nossa casa.”
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