Brasileirismo contemporâneo

A 41.ª edição do Festival de Sintra, mais conhecido pela vertente pianística, abriu sexta-feira no Centro Cultural Olga Cadaval com a companhia de dança Quasar, sob a égide de dois génios da música brasileira: Elis e Tom.

04 de junho de 2006 às 00:00
Brasileirismo contemporâneo Foto: d.r.
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Este é, aliás, o título do disco, de 1974, em que o coreógrafo Henrique Rodovalho se inspirou para um trabalho em tons de branco, impecavelmente depurado e de inquestionável riqueza coreográfica.

Rodovalho foge ao óbvio em ‘Só Tinha que Ser com Você’, abdicando do conteúdo emocional de 13 conhecidas canções de amor. Desde logo, oito magníficos bailarinos, embarcam num discurso ‘paralelo’ em que os corpos pouco se partilham e a música só pontualmente embala o momento.

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O rico vocabulário tem referências em formas tão distintas como o samba e a capoeira passando por estilos muito mais apelativos do que os dos vários bailados intitulados ‘Amália’ de Vasco Wellenkamp (o responsável pelas escolhas de dança do festival) que, durante anos, pôs bailarinos ao pulos e a atirarem-se para o chão esperando que com isso se dançasse o fado, ou melhor dizendo, esse equívoco chamado alma lusa!

Ao contrário, o ‘brasileirismo’ de Rodovalho é contemporâneo, divorciado de clichés e apostado numa produção séria, com iluminação, figurinos e cenografia simples mas eficientes e muito profissionais.

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