CHICK COREA DESEQUILIBRADO
No concerto que encerrou, terça-feira à noite, no Teatro Rivoli, o Festival de Jazz do Porto, o pianista Chick Corea alternou momentos brilhantes com outros menos felizes.
Ao terceiro tema da primeira parte, Corea ressuscitou musicalmente a mulher, Gail Moran, para cantar e desequilibrar um concerto que, até então, se tinha pautado pelo brilho. Gail fez parte do grupo Return To Forever, liderado por Corea nos anos 60, e está francamente fora de forma. A sua presença em palco foi penosa e a interpretação de ‘You Are Everything’, chegou a ser mesmo um desastre.
Esquecido este episódio e foquemo-nos, então, no que de bom se passou no Rivoli. Corea iniciou o concerto com o ‘standard’ ‘On Green Dolphin Street’, tocando de forma impecável, numa linguagem bem jazzística e ao estilo acústico. Com Steve Wilson em saxes alto e soprano e flauta, Avishai Cohen em contrabaixo, Jeff Ballard na bateria e Ruben Dantas na percussão, Chick teve a complementação ideal para os temas instrumentais.
Wilson brilhou em todos os solos revelando uma consistência sonora e criativa de grande craveira. O segundo tema, ‘Dignity’, que dedicou à mãe, foi espaço para um piano apaixonado acompanhado por uma flauta também cheia de sentimento e, ao terceiro, Corea chamou Gail para os temas ‘Carroucell’ e ‘You Are Everything’. Após o intervalo, Corea voltou com ‘Brasilia’, ‘Ana’s Tango’ e um trepidante afro-cubano, em que todos os músicos tiveram oportunidade de solar e dialogar.
O público aplaudiu delirantemente e Corea brindou-o com um ‘encore’, que levou a um grande aplauso final.
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