Cinema fica sem ‘Delfim’

Bon vivant, afectuoso, amante de Lisboa e um grande cineasta. São poucos adjectivos, apenas alguns de entre muitos para lembrar quem não se vai esquecer. Fernando Lopes, nome maior do cinema português, morreu ontem, em Lisboa, aos 76 anos, vítima de cancro, no Hospital da Cruz Vermelha, onde estava internado. Mas a sua obra perdurará.

03 de maio de 2012 às 01:00
FERNANDO LOPES, CINEASTA, ÓBITO, FILME, CINEMA Foto: Pedro Catarino
Partilhar

"O cinema português não seria o mesmo sem ele", frisa o realizador João Botelho, lembrando os maiores êxitos de uma carreira que fez de Lopes referência do cinema novo, a par de Paulo Rocha e Manoel de Oliveira. ‘Belarmino' (1964) e ‘Uma Abelha na Chuva' (1972) são aliás, tal como ‘O Delfim' (2002), "uma trilogia inevitável para falar de um homem que procurava sempre a beleza do cinema", nas palavras de Francisco José Viegas, secretário de Estado da Cultura.

Mas como para Fernando Lopes "o cinema era a vida e a vida dele era o cinema", é difícil distinguir onde acaba o cineasta e começa o amigo, como salienta Rui Morrison, o protagonista de vários filmes, entre eles ‘Em Câmara Lenta', estreado em Março. "O mundo dele era dos afectos, e todos os momentos com ele eram especiais", lembra. Talvez por isso também o realizador e amigo Alberto Seixas Santos o recorde como "um excelente contador de histórias, que sempre gostou de andar pela noite de Lisboa, cidade que amava".

Pub

O velório do realizador é esta tarde, a partir das 18h00, no Palácio Galveias, em Lisboa. Amanhã de manhã, o corpo será cremado, numa cerimónia fúnebre que a família quer privada, e as cinzas serão posteriormente depostas em Alvaiázere, distrito de Leiria, onde o cineasta nasceu.

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

Partilhar