Devoção e tradição
Divulgar a arte do tapete oriental, uma tradição milenar pouco conhecida em Portugal, é o objectivo da exposição a visitar até 31 de Julho, na Fundação Calouste Gulbenkian (FCG), em Lisboa.
Intitulada ‘Espelhos do Paraíso – Tapetes do Mundo Islâmico, sécs. XV – XX’ e comissariada por Roland Gilles e Joelle Lemaistre, a mostra apresenta 56 peças que testemunham a antiguidade das práticas de tecelagem do Oriente e revela uma arte evoluída e tecnicamente dominada.
“Esta é a primeira vez que, em Portugal, é organizada uma exposição com um conjunto tão representativo de tapetes orientais oriundos de algumas das mais prestigiadas colecções públicas do Mundo”, explicou ao CM a conservadora assessora da FCG, Maria Fernanda Passos Leite. “O tapete é o local de devoção dos muçulmanos. Faz parte da vida tanto das pessoas ricas como dos nómadas”, explicou a especialista, acrescentando que “este artefacto dá solenidade aos espaços e faz parte integrante dos palácios e das tendas”.
Além de tapetes provenientes das oficinas do Egipto mameluco, da Pérsia safávida e da Turquia otomana, estão igualmente presentes peças tribais da Ásia Central e outras fabricadas no Magrebe.
“Existem três características comuns nos tapetes: os motivos geométricos, os geométricos/florais e o medalhão central”, especificou Fernanda Passos Leite, acrescentando que o tapete turco é mais geométrico, enquanto o persa apresenta uma decoração mais floral.
A riqueza decorativa e simbólica destas peças sempre fascinaram a Europa. A partir do século XV, os artistas ocidentais utilizaram o tapete oriental nas suas pinturas, o que demonstra, na opinião da especialista, “o quão era apreciado este artefacto e o fascínio que detinha”.
Os tapetes expostos provêm do Museu de Arte Islâmica (Berlim), Metropolitan Museum (Nova Iorque), Victoria & Albert Museum (Londres) e Museu de Artes Decorativas (Paris), entre outras instituições.
Com entrada gratuita, a mostra é organizada pelo Instituto do Mundo Árabe (Paris) e pela FCG, uma iniciativa que precede o cinquentenário da instituição e homenageia Calouste Gulbenkian, coleccionador arménio que sempre se interessou pelos tapetes orientais.
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