"É uma bênção participar num projeto destes": João Só desafiou 14 artistas a musicar Florbela Espanca
D.A.M.A, Carolina de Deus, Os Quatro e Meia, Cláudia Pascoal ou Luís Trigacheiro são alguns dos nomes incluídos em 'Florbela'.
Desafiado por um amigo [José Afonso Oom de Sousa] a musicar sonetos de Florbela Espanca e impressionado com a potencialidade dos textos, João só acabou por estender o convite a outros artistas. O resultado está agora aí, 'Florbela', um projeto musical que celebra a obra da poetisa através de 14 sonetos musicados e interpretados por algumas das vozes mais relevantes da música portuguesa atual. "O primeiro soneto que peguei, chamado 'Desejos Vãos', deu-me uma canção que pareceu que se escreveu sozinha e isso deixou-me muito impressionado porque não é uma coisa que aconteça muitas vezes. Então pensei que isso podia ter o mesmo efeito junto de amigos meus. E assim nasceram os convites", conta.
Os primeiros a servirem de "cobaias" como diz, foram os D.A.M.A e Carolina de Deus, mas o disco conta ainda, para além do próprio João Só, com Os Quatro e Meia, IOLANDA, Ana Mariano, Cláudia Pascoal, Edmundo Inácio, Joana Espadinha, Luís Trigacheiro, Manuel Guerra, Jorge Pitacas & Marisa Liz, Mimi Froes e os NAPA. "Foi um parto difícil porque foi uma logística grande com muita gente mas espero que este seja o ponto de partida para fazer mais coisas com a obra da Florbela Espanca".
O processo de feitura do disco começou com a seleção de 40 sonetos, que depois foram reduzidos para 15. "Havia uns sonetos mais negros e eu procurei pelos mais otimistas, embora a Florbela não fosse propriamente uma poetisa muito otimista. Mas eu achei engraçado dar-lhe essa leitura", diz João Só, diretor artístico do projeto. "Foi quando percebemos que começámos a ter leituras musicais completamente inesperadas da obra da Florbela" conta. O disco respeitou apenas uma única regra. "Musicar sonetos não é fácil porque os poemas são curtos e não podemos rescrever a obra e o máximo que autorizei os meus colegas foi a repeti-los ao longo da canção".
Hoje João Só confessa-se orgulhoso com o resultado final e não tem dúvidas: "É uma bênção participar num projeto destes". De acordo com o músico, este disco vai dar pano "para mangas em termos das ações que vão ser feitas com os artistas inclusive para o Plano Nacional de Leitura". A realização de um concerto também não está excluída, apesar da dificuldade em conjugar agendas. "Mas não desistimos da ideia", assegura.
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