Acusação pede uma pena de 10 anos e meio de prisão para o jogador e três anos para o amigo de Mir, o também futebolista Pablo Jara.
Os futebolistas Rafa Mir e Pablo Jara sentam-se, esta quinta-feira, no banco dos réus para ser julgados por agressão sexual no Tribunal Provincial de Valência, em Espanha.
No caso de Mir, a acusação pede uma pena de 10 anos e meio de prisão por violar uma jovem de 21 anos em 2024, na sua casa de Bétera, em Valência. O futebolista sempre alegou ser inocente e, por isso, a defesa pede a absolvição com o argumento de que as relações sexuais foram consentidas.
Contudo, a vítima disse durante o julgamento que o jogador a agrediu sem consentimento. "Meteu-me os dedos na vagina e tocou-me em todo o corpo. Custava-me respirar", relatou.
A jovem contou que, junto com uma amiga, conheceu Rafa Mir e os amigos na discoteca Mya de Valência, na noite de 31 de agosto para 1 de setembro de 2024. No entanto, nenhuma das duas sabia naquele momento quem era Mir, garante a vítima, que explicou ter dado "alguns beijos" na discoteca ao futebolista.
Quando a discoteca fechou de madrugada, foi Mir, segundo a versão da jovem, que propôs continuar a festa na casa dele. "Disse-me se nos apetecia ir com ele e os amigos para casa, que tinha piscina, bolo de aniversário... Propôs que ficássemos para tomar o pequeno-almoço e dissemos que era perfeito", relatou a vítima.
As duas vítimas foram com Mir num táxi e foi neste momento que ele contou que era futebolista do Valência. Contudo, durante a viagem, a jovem irritou-se com o jogador: "pareceu-me estranho ele estar a tentar seduzir-nos às duas, principalmente à minha frente. Foi incómodo", assegurou.
Já na casa, Mir perguntou se a jovem estava chateada e quis atirá-la à piscina. "Disse-lhe que não me queria molhar, que tinha frio, mas atirou-me na mesma", afirmou a jovem, realçando que foi na piscina onde o jogador introduziu os dedos pela primeira vez na vagina.
Após o episódio, a jovem decidiu ir-se embora, mas regressou à casa quando deu conta que se tinha esquecido da mala. Mir terá "empurrado" a vítima para o chuveiro: "Ele repetiu o mesmo que na piscina, fiquei alterada e comecei a chorar. Pedi-lhe que parasse, que me deixasse, que queria ir embora". "Voltou a beijar-me e a meter-me os dedos. Custava-me respirar e falar", recordou a vítima.
A tese da vítima é a que o próprio Ministério Fiscal (equivalente a Ministério Público em Portugal) defende, solicitando ainda três anos de prisão por agressão sexual para o amigo de Mir, o também futebolista Pablo Jara. Mir foi detido em setembro de 2024, quando jogava pelo Valência, cedido pelo Sevilha, após a jovem apresentar queixa.
Segundo a Fiscalía, Mir teve relações sexuais consentidas com uma das mulheres num dos quartos da casa. Contudo, depois pegou na vítima e atirou-a à piscina vestida, para ir ter com ela à água e "realizar toques nas suas partes íntimas e outras práticas de tipo sexual".
A jovem fugiu da casa, mas regressou porque se tinha esquecido da mala. A Fiscalía também refere que Mir obrigou a vítima a entrar na casa de banho e agrediu-a sexualmente. Por sua vez, Jara ter-se-á aproximado da outra vítima e tocado nas partes íntimas enquanto nadava na piscina, ao que a jovem respondeu pedindo para o futebolista parar.
Quando as duas mulheres saíram da casa, Jara empurrou uma delas e deu-lhe um soco na cara. "Vocês são umas pitas, malucas", gritou-lhes. A acusação destaca que uma das jovens sofreu hematomas e escoriações, enquanto a outra sofreu um transtorno psicológico que levou 180 dias para recuperar.
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