Emmanuelle Béart depois do tsunami

Emmanuelle Béart mostra no perturbador ‘Vinyan’, ontem apresentado em Veneza fora da competição oficial, que é uma actriz madura e com notáveis recursos interpretativos. Num filme marcado pela perda e obcecado pela procura, um casal (Béart e Rufus Sewell) decide ficar em Pukhet seis meses após o tsunami que lhes levou o filho.

31 de agosto de 2008 às 00:30
Emmanuelle Béart depois do tsunami Foto: direitos reservados
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Agarrando-se  à ideia de que ele foi raptado por traficantes, aventuram-se na selva entre a Tailândia e a Birmânia até descobrirem uma pequena civilização dominada por crianças. Num dos momentos mais fortes do festival, a personagem de Béart tem um contacto demasiado físico com um bando de meninos hostis.

Entre o sonho, a ansiedade e o delírio, o realizador belga Fabrice du Welz leva o espectador a um mundo viscoso à maneira do ‘Coração nas Trevas’ de Joseph Conrad. Só que essa aproximação acaba por ser a sua falha. Ainda assim, ‘Vinya’ cola-se à pele como a humidade do Sudeste asiático.

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FRACA COMPETIÇÃO

Na corrida para o Leão de Ouro ontem não surgiram novos candidatos. Não será esse o destino do complexo e confuso ‘Plastic City’, de Yu Lik-Wai, espécie de filme negro com a máfia oriental a actuar em São Paulo, nem dos desinteressantes ‘35 Rhums’, de Claire Denis, e ‘Un Giorno Perfetto’, do italiano Ferzan Ozpetek. As surpresas foram ‘Encarnação do Diabo’, um filme de terror, fora de competição, do brasileiro José Mojica Marins, e o documento confessional ‘Z32’, do israelita Avi Mograbi, onde um ex--soldado confessa à câmara, de rosto dissimulado, a morte de dois polícias palestinianos.

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