“Estaline continua a ser um enigma”
Orlando Figes reedita ‘A Tragédia de um Povo’, obra de referência sobre a Revolução Russa.
O historiador britânico Orlando Figes narra em ‘A Tragédia de um Povo’ (D. Quixote) o processo revolucionário russo de 1891 a 1924. A 7 de novembro de 1917, faz amanhã cem anos, teve início a revolução bolchevique.
Correio da Manhã – Entre todos os livros acerca da Revolução Russa qual é a principal razão para comprar o seu?
- Orlando Figes - Ter superado o teste do tempo. Saiu pela primeira vez em 1996 e encontra sempre novos leitores.
- Percebe que milhões de pessoas ainda celebrem 1917?
- Na Rússia há gente mais velha, identificada com o sistema soviético. À volta do Mundo a revolução exerce certa magia em quem acredita nos ideais, às custas da realidade. Veem 1917 como o momento em que tudo era possível.
- Comparar métodos bolcheviques aos do Daesh vai trazer-lhe novos inimigos?
- Tenho muitos e não preciso de mais. O Daesh segue o modelo leninista porque construiu a base de apoio através da guerra civil. Foi o que Lenine implementou após 1917.
- Sem desvalorizar os crimes de Estaline pode dizer-se que ele serve de bode expiatório para a violência de Lenine ?
- Entre historiadores de esquerda, para preservar o romantismo e pureza da revolução. Dizem que tudo se distorceu com a morte de Lenine. É a teoria da revolução traída.
- Quão diferente seria o século XX sem União Soviética?
- É impossível imaginá-lo, o que mostra a sua magnitude. Sem bolcheviques teria havido o medo de revoluções que conduziu as classes médias para os fascistas e nazis?
- Se um génio da lâmpada lhe desse a escolha, preferiria falar com Lenine ou Estaline?
- Discutiria com Estaline. Em Lenine há uma lógica. Estaline, sendo um monstro, tem algo de louco. Estar cara a cara com ele permitiria entender a loucura. No caráter e na forma de pensar, Estaline continua a ser um enigma. Seria paranoico, psicopata, megalomaníaco? Não sabemos.
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