Ex-presidente timorense destaca que voz de Luís Represas ficará na memória do país
Taur Matan Ruak recorda ainda que o músico português foi das poucas vozes internacionais que defendeu publicamente o direito dos timorenses à liberdade.
O ex-presidente timorense Taur Matan Ruak afirmou, esta quinta-feira, que a voz de Luís Represas vai permanecer viva em Timor-Leste, recordando que o músico foi das poucas vozes internacionais que defendeu publicamente o direito dos timorenses à liberdade.
"Ao longo dos anos mais difíceis da ocupação de Timor-Leste, quando o nosso povo resistia nas montanhas e muitos dos combatentes das FALINTIL viviam isolados do mundo, eram poucas as vozes internacionais que ousavam afirmar publicamente o direito dos timorenses à liberdade. Luís Represas foi uma dessas vozes", pode ler-se numa mensagem de Taur Matan Ruak nas redes sociais.
Na mensagem, o ex-chefe de Estado afirmou que a canção "Timor" tornou-se numa "poderosa manifestação de solidariedade".
Para Taur Matan Ruak, Luís Represas ajudou a "manter viva a consciência da comunidade internacional sobre a situação em Timor-Leste e contribuiu para fortalecer a mobilização da sociedade civil portuguesa em defesa do direito à autodeterminação".
"Tive, por isso, a honra, enquanto Presidente da República Democrática de Timor-Leste, de lhe conferir a Medalha da Ordem de Timor-Leste, uma das mais elevadas distinções do nosso Estado. Essa condecoração não representou apenas o reconhecimento de um músico de exceção; constituiu, sobretudo, a expressão da gratidão de um povo para com alguém que escolheu colocar a sua arte ao serviço da justiça, da liberdade e da dignidade humana", recordou o ex-chefe de Estado.
O antigo Presidente disse também que a voz de Luís Represas vai permanecer viva na memória coletiva dos timorenses e que sempre que a música "Timor" for tocada será recordado um grande intérprete, mas também um "homem de consciência, cuja generosidade ajudou a alimentar a esperança de um povo que acreditava na liberdade".
O cantor Luís Represas morreu quarta-feira aos 69 anos vítima de doença prolongada.
Luís Represas nasceu em Lisboa, em 1956. Aos 20 anos fez parte do núcleo fundador dos Trovante, que se estreou com o álbum "Chão Nosso" e ganhou dimensão nacional ao terceiro álbum, "Baile no Bosque", em 1981.
O cantor comemorava este ano os 50 anos de carreira, divididos entre os Trovante e a solo, tendo atuado em março com os companheiros de sempre, no Meo Arena, em Lisboa, e no Pavilhão Rosa Mota, no Porto. Para abril de 2027, tinha marcado dois concertos nos coliseus de Lisboa e do Porto.
Da história de Luís Represas faz parte o apoio à independência de Timor-Leste. A canção "Timor", com música de João Gil e letra de João Monge, que vinha do álbum do grupo "Um destes dias" (1990), voltou a juntar os Trovante em 1999 e transformou-se num dos principais temas da luta que levou à independência timorense. A letra viria a ser traduzida para tetum, por Xanana Gusmão.
Represas foi convidado pelo então Presidente português Jorge Sampaio para o acompanhar na visita oficial a Timor-Leste, em 2000. Em 2005, foi distinguido pelo Estado Português com a Ordem de Mérito - grau de Comendador e, em 2016, seria condecorado com a Medalha da Ordem de Timor-Leste pelo então Presidente, Taur Matan Ruak.
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