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Presidente de Timor-Leste afirma que Luís Represas colocou talento ao serviço do povo de Timor-Leste

José Ramos-Horta recordou também que a ligação do cantor ao país não terminou com a restauração da independência e que manteve "sempre viva a amizade que cultivou" com o país e com os timorenses.

23 de julho de 2026 às 09:29

O Presidente de Timor-Leste, José Ramos-Horta, lamentou esta quinta-feira a morte de Luís Represas, destacando que o músico colocou o seu talento ao serviço da liberdade e dignidade do povo timorense.

"Ao longo de décadas, Luís Represas colocou o seu talento artístico ao serviço de uma causa: a liberdade e a dignidade do povo timorense", afirmou o também prémio Nobel da Paz, numa mensagem na rede social Facebook.

"Numa época em que Timor-Leste permanecia sob ocupação e o sofrimento do nosso povo era frequentemente esquecido pela comunidade internacional, a sua canção "Timor" foi um canto-grito poderoso de solidariedade, esperança e resistência, despertando consciências e mobilizando o apoio da sociedade portuguesa e internacional", salientou José Ramos-Horta.

O Presidente timorense recordou também que a ligação de Luís Represas a Timor-Leste não terminou com a restauração da independência e que manteve "sempre viva a amizade que cultivou" com o país e com os timorenses.

"A sua partida representa uma grande perda para a cultura lusófona, para Timor-Leste, onde será sempre recordado como um artista de exceção e um verdadeiro amigo do nosso povo", disse José Ramos-Horta, acrescentando que o seu legado vai continuar a viver na sua música e nos "valores de solidariedade, fraternidade e esperança que sempre defendeu".

O cantor Luís Represas morreu quarta-feira aos 69 anos vítima de doença prolongada.

Luís Represas nasceu em Lisboa, em 1956. Aos 20 anos fez parte do núcleo fundador dos Trovante, que se estreou com o álbum "Chão Nosso" e ganhou dimensão nacional ao terceiro álbum, "Baile no Bosque", em 1981.

O cantor comemorava este ano os 50 anos de carreira, divididos entre os Trovante e a solo, tendo atuado em março com os companheiros de sempre, no Meo Arena, em Lisboa, e no Pavilhão Rosa Mota, no Porto. Para abril de 2027, tinha marcado dois concertos nos coliseus de Lisboa e do Porto.

Da história de Luís Represas faz parte o apoio à independência de Timor-Leste. A canção "Timor", com música de João Gil e letra de João Monge, que vinha do álbum do grupo "Um destes dias" (1990), voltou a juntar os Trovante em 1999 e transformou-se num dos principais temas da luta que levou à independência timorense. A letra viria a ser traduzida para tetum, por Xanana Gusmão.

Represas foi convidado pelo então Presidente da República Portuguesa Jorge Sampaio para o acompanhar na visita oficial a Timor-Leste, em 2000. Em 2005, foi distinguido pelo Estado Português com a Ordem de Mérito - grau de Comendador e, em 2016, seria condecorado com a Medalha da Ordem de Timor-Leste pelo Presidente Taur Matan Ruak.

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