"Filmar os bons e os maus não me interessa": novo filme de Ivo Ferreira chega às salas de cinema

Filho de atores, o realizador Ivo Ferreira assistiu à detenção de um elemento da companhia de teatro A Comuna, episódio que o marcou para sempre e deu origem ao sue mais recente filme

22 de abril de 2026 às 01:30
José Pimentão em 'Projecto Global' Foto: Direitos Reservados
Ivo M. Ferreira estreia 'Projecto Global' Foto: Gonçalo F. Santos
José Pimentão e Jani Zhao Foto: Direitos Reservados

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‘Projecto Global’, o novo filme do realizador Ivo Ferreira, chega esta semana às salas de cinema nacionais com uma causa: despertar a reflexão sobre os perigos de toda e qualquer espécie de extremismos. Ou talvez dos riscos da profunda convicção de estarmos certos.

O filme, com Jani Zhao, Ivo Canelas, Rodrigo Tomás e José Pimentão nos principais papéis mergulha a fundo num dos períodos mais conturbados da democracia portuguesa. A ideia de fazer uma longa-metragem sobre as FP-25 surgiu na mais recuada infância. Filho de atores, Ivo Ferreira estava no teatro A Comuna quando assistiu à prisão de uma atriz da companhia por ligações às brigadas: “Foi marcante para mim. Lembro-me de a visitar na prisão. Lembro-me de os meus pais me terem dito que sempre tinham estado ligados à política - mas que para eles a luta armada não fazia sentido - e que não sabiam se outras pessoas que conhecíamos também iam ser presas”. Burilou a ideia durante anos. Os "traumas" e os episódios "lamacentos da história contemporânea portuguesa" sempre o fascinaram. Com o nome 'Projecto Global', o filme começa a nascer em 2017, mas demorou "muito tempo a concretizar", por ser "muito intenso e pesado, na escrita, na investigação". A base histórica foi fornecida pelo historiador Francisco Bairrão Ruivo, mas também contou com testemunhos de quem viveu, inclusivamente ex-operacionais das Forças Populares 25 de Abril. "Apesar de todos os meios que tivemos, o filme tinha de manter a simplicidade, não se podia aburguesar, dividir o mundo em arquétipos e filmar os bons e os maus não me interessa. Disse sempre aos atores que não queria filmar a certeza, mas sim a dúvida, a zona cinzenta do ser humano", garante o realizador. Um trabalho de fôlego e músculo, e que chega às salas esta quinta-feira como um dos mais aguardados filmes nacionais do ano.  

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