FLORBELA ESPANCA EDITADA NO BRASIL
A obra em prosa de Florbela Espanca é lançada este mês, pela primeira vez, no Brasil, numa iniciativa da editora Iluminuras.
“Afinado Desconcerto”, organizado pela professora de literatura portuguesa da Universidade Federal de Sergipe, Maria Lúcia Dal Farra, apresenta contos, cartas e o diário da poetisa portuguesa.
De acordo com a editora Iluminuras, o “Afinado Desconcerto” terá uma tiragem de dois mil exemplares.
Florbela Espanca, nascida no Alentejo, em Portugal, em 1894, foi uma das poucas mulheres das primeiras décadas do século XX a entrar na universidade para estudar Direito em Coimbra, até ao terceiro ano.
Considerada uma das mais injustiçadas e incompreendidas autoras portuguesas, em vida, Florbela Espanca escandalizou a conservadora sociedade do início do século. Casou-se três vezes, divorciou-se duas, fumava e não temia tratar o erotismo nos seus livros.
“Florbela foi hostilizada, chamada de ninfomaníaca, homossexual, incestuosa e esquizofrénica”, disse a professora Maria Lúcia Dal Farra.
Segundo a estudiosa, a poesia de Florbela Espanca andou pelos diversos papéis femininos, questionou-os e concluiu que o papel da mulher “era móvel”.
“Neste sentido, a obra dela tem um carácter feminista”, sublinhou, acrescentando que não é fácil classificar a sua obra nas escolas literárias.
“De certa forma, Florbela Espanca pertence ao modernismo, porque a polémica desta escola está presente na sua obra, como a dispersão da personalidade”, contou a professora.
Florbela Espanca lançou apenas duas obras em vida: “Livro de Mágoas” (1919) e “Livro de Sóror Saudade” (1923). O primeiro passou despercebido, não atraindo a crítica, mas o segundo foi considerado escandaloso e erótico.
Florbela Espanca suicidou-se em 1930, aos 36 anos, em Matosinhos, Norte de Portugal.
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