FRIDA MARCOU ABERTURA DO FESTIVAL DE VENEZA
A estreia mundial de uma das películas mais esperadas deste ano, a longa metragem “Frida”, da realizadora Julie Taymor, deu o pontapé de saída na abertura da 59ª edição do Festival Internacional de Cinema de Veneza, na última quinta-feira.
A película narra a vida da pintora mexicana Frida Khalo, uma das mulheres mais revolucionárias e polémicas de todos os tempos, que na tela é interpretada pela actriz mexicana Salma Hayek.
Comunista, bissexual, companheira do muralista Diego Rivera e amante de Léon Trotski, Frida apaixonou (e impressionou) várias gerações, quer pelas suas criações brutais e a sensibilidade artística extrema, quer pelo carácter rebelde e inconformado. Muitos foram aqueles que se inspiraram na sua vida e na sua obra e, mais recentemente, foi transformada num ícone por Hollywood.
Mas a vida de Frida Kahlo foi também marcada pela tragédia. Nascida em 1907, Frida teve poliomielite e, mais tarde sofreu um grave acidente que a condenou a viver com dores e cicatrizes. Foi motivada pelo muralista Diego Rivera (Angel Molina) a dedicar-se à pintura e a exteriorizar através da arte o seu sofrimento.
A actriz Salma Hayek partilha com Frida a mesma nacionalidade e há muito que é uma fã devota da sua arte. Para além disso, há vários anos que sonhava em interpretar este papel e foi sem qualquer tipo de pudor que assumiu os trejeitos de Frida, “vestiu” as suas sobrancelhas fartas e o bigode e encarnou os seus devaneios, para além de ter assinado a co-produção do filme.
Para dar vida à personagem de Frida Kahlo, estiveram na calha outras duas mulheres sem perconceitos nem tabus: Madonna e Jennifer Lopez. Mas a profundidade do olhar de Hayek e o seu conhecimento da vida de Frida pesaram na balança e valeram-lhe o papel.
Numa conferência de imprensa que a actriz realizou no Lido, antes da exibição de “Frida” no certame, Salma Hayek garantiu sentir-se completamente fascinada pela película, por esta ser baseada numa “história de amor incondicional e reunir personagens tão fascinantes quanto carismáticas”.
A realizadora Julie Taymor compôs um quadro de cores vivas e inebriantes, directamente inspiradas nos anos 30 e 40, e recheou a história de festas e manifestações revolucionárias, amores conturbados, debates políticos e exposições. “Frida” competirá com mais 21 obras à corrida pelo Leão de Ouro. Nesta longa metragem participaram ainda actores como Alfred Molina, Ashley Judd, Edward Norton (namorado de Salma Hayek) e Antonio Banderas.
Depois de “Frida” outras duas produções estão a concentrar todas as expectativas nesta edição do Festival de Veneza, nomeadamente “Between Strangers” com Sophia Loren como protagonista, num filme assinado pelo seu próprio filho, o realizador Edoardo Ponti, e “Full Frontal” de Steven Soderbergh, com Julia Roberts e Brad Pitt.
ACTRIZ APOSTA NA REALIZAÇÃO
A viver um dos momentos altos da sua carreira, Salma Hayek promete continuar a surpreender aqueles que pensavam que ela era apenas mais uma carinha bonita de Hollywood. Depois de “Frida”, que a levou ao Festival Internacional de Cinema de Veneza, Salma Hayek está já a dirigir e a produzir o filme “El Milagro de Maldonado” para a cadeia de televisão por cabo Showtime.
A película está a ser filmada em Utah e nela participa também Peter Fonda e o actor e cantor Rubén Blades, natural do Panamá.
“El Milagro de Maldonado” conta a história de um pequeno povo convencido de que houve um milagre, ao comprovar que há sangue na imagem de Cristo da igreja local.
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