Júlio Costa, do Trio Odemira, morre cinco dias depois do irmão
Cofundador da banda tinha 83 anos e mais de 60 de carreira com Carlos Costa.
Nunca estudou música, mas até sabia cantar ópera, influenciado pelos grandes cantores que começou a ouvir em miúdo na Emissora Nacional. Júlio Costa, o cantor da "voz fininha" do Trio Odemira, a quem Alfredo Marceneiro um dia, por brincadeira, perguntou porque não ia cantar para uma igreja, morreu esta sexta-feira aos 83 anos de idade, cinco dias após a morte do irmão Carlos Costa e cofundador do grupo. A noticia foi revelada pelo ator Paulo Vasco. "Desaparecem assim, num curto espaço de tempo, os elementos fundadores de um dos mais longevos e sem dúvida profícuos grupos da história da música portuguesa", disse. As causas da morte ainda não são conhecidas.
Nascido em Lisboa, viajou para Odemira, no Alentejo, com apenas seis anos (o pai arranjara por lá uma tipografia), para uns bons anos mais tarde ser desafiado pelo irmão Carlos, oito anos mais velho, a formar um dos mais acarinhados grupos da música popular portuguesa: o Trio Odemira (o terceiro elemento era o homem do cavaquinho, José Ribeiro), que existia até hoje.
O Trio Odemira tinha, em 2019, comemorado 60 anos de carreira com uma atuação no Centro de Artes e Espetáculos da Figueira da Foz. Antes disso, em setembro de 2016, tinha sido distinguido com Prémio de Mérito e Excelência Cidade de Moura, na área da Música. O Trio formou-se em 1958 e teve êxitos como ‘Ana Maria’ e ‘Anel de Noivado’, tendo sido o primeiro grupo a gravar em disco temas populares alentejanos, à exceção dos coletivos corais. Já esta semana, a ministra da Cultura Graça Fonseca, numa nota de pesar a Carlos Costa, destacava o papel fundamental na preservação e divulgação do património musical português e da musical popular.
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