"Livro de Poemas" de António Lobo Antunes é publicado a 9 de junho

Obra reúne textos escritos por António Lobo Antunes ao longo dos anos", afirma a apresentação.

29 de maio de 2026 às 17:26
António Lobo Antunes Foto: Miguel Baltazar
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O livro que reúne os poemas do escritor António Lobo Antunes, que morreu no passado mês de março, é publicado no próximo dia 09 de junho, anunciou esta sexta-feira a sua editora.

"Livro de Poemas" "reúne textos escritos por António Lobo Antunes ao longo dos anos", afirma a apresentação da obra editada pelas Publicações D. Quixote, acrescentando que esta edição "pretende atribuir a todos estes textos uma unidade possível".

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O prefácio é do músico Vitorino Salomé, amigo do escritor, que gravou alguns dos poemas do autor de "Os Cus de Judas" (1979). Além de Vitorino, outros cantores gravaram poemas de Lobo Antunes, nomeadamente, Carlos do Carmo, Kátia Guerreiro e Cristina Branco.

Outros poemas do autor de "Diccionario da Linguagem das Flores" (2020) foram reunidos em volumes como "Letrinhas de Cantigas", em 2002, "Fados: Mulher" (2017) e "Diálogos" (1998), em que António Lobo Antunes escreveu para pinturas de José Luís Tinoco, que morreu em abril passado.

"Livro de Poemas" abre com "Palavra que me apetecia mostrar Nelas", cedido por António Lobo Antunes para o espetáculo "António e Maria", com adaptação de textos do escritor por Rui Cardoso Martins e levado à cena no Teatro Meridional, em Lisboa, entre 2015 e 2017.

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Desta edição faz parte o soneto "No tempo em que de amor viver soía", glosando um poema de Luís de Camões, que foi apenas divulgado pelo autor de "Memória de Elefante" e "Fado Alexandrino" numa entrevista, em 2017.

António Lobo Antunes é apontado como um dos maiores nomes da literatura portuguesa desde a segunda metade do século XX. Licenciado em Medicina, pela Universidade de Lisboa, em 1969, especializou-se em Psiquiatria, que mais tarde exerceu no Hospital Miguel Bombarda.

Optou pela escrita a tempo inteiro em 1985, para combater a depressão que dizia ser comum a todas as pessoas.

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"Nunca soube verdadeiramente fazer outra coisa que não escrever", declarou o escritor à agência Lusa, em 2004, quando já tinha recebido o Prémio União Latina (2003) pelo conjunto da obra, e a lista de distinções ia do Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores (APE) ao Melhor Livro Estrangeiro publicado em França ("Manual dos Inquisidores") e ao reconhecimento pela Feira do Livro de Frankfurt (1997), na Alemanha.

O seu primeiro livro, "Memória de Elefante", surgiu em 1979, logo seguido de "Os Cus de Judas", no mesmo ano, sucedendo-se "Conhecimento do Inferno", em 1980, e "Explicação dos Pássaros", em 1981, obras marcadas pela experiência da guerra e pelo exercício da Psiquiatria, que depressa o tornaram um dos autores mais lidos em Portugal.

A República Portuguesa condecorou-o com a grã-cruz da Ordem de Sant'Iago da Espada, em 2004 e, em 2019, com a Ordem da Liberdade.

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França deu-lhe o grau de "Commandeur" da Ordem das Artes e das Letras, em 2008. Foi Prémio Camões em 2007.

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