Morreu o nosso professor de História

O nome de José Hermano Saraiva confunde-se com a própria História de Portugal, e muitos jamais esquecerão o tanto que aprenderam com ele sobre reis e rainhas através das ‘aulas’ na televisão. <br/><br/>

21 de julho de 2012 às 01:00
Óbito, José Hermano Saraiva, morreu, professor, História Foto: Pedro Catarino
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O historiador de registo inconfundível faleceu ontem aos 92 anos, vítima de doença prolongada, na sua casa em Palmela, Setúbal. E deixa um legado de programas que sempre farão parte do tesouro nacional.

Professor e historiador, José Hermano Saraiva sempre foi um homem activo na vida pública. Depois da sua carreira no ensino, o salazarista que se licenciou em História e em Direito foi jurista, ministro da Educação, entre 1968 e 1970, e embaixador no Brasil, de 1972 a 1974. Regressado a Portugal, foi o pequeno ecrã que o apresentou a milhões de portugueses.

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Em 1978, Vasco Graça Moura, então director do canal 1 da RTP, propôs o seu nome para "dar continuidade à série de programas de História e cultura." Tal momento "marcou o início da afirmação de uma carreira de grande divulgador da nossa História", recordou ao CM o presidente do CCB, salientando obras relevantes como a ‘História Concisa de Portugal' ou a biografia ‘Vida Ignorada de Camões'.

"O seu maior contributo para a nossa formação enquanto país foi reforçar a memória histórica que temos de nós próprios", destacou ontem o historiador Francisco Contente Domingues.

"Os meus programas têm a característica de pôr as pessoas a pensar, o que é algo que faz falta em Portugal", disse o próprio historiador ao CM há três anos. E punham as pessoas a gostar da nossa História.

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A missa de corpo presente realiza-se às 14h00 na Igreja do Convento de Jesus, em Setúbal, seguindo-se o funeral para o cemitério de Palmela.

QUATRO DÉCADAS A CONTAR PORTUGAL A GERAÇÕES DE TELESPECTADORES

José Hermano Saraiva estreou-se na televisão em 1971, com a série ‘O Tempo e a Alma'. A sua forma muito própria de expor teorias, por vezes contestadas no meio académico, rapidamente se evidenciou e, em 1978, apresentou ‘Gente da Paz'. Nos anos 80, conduziu ‘O Acto e o Destino' e ‘Histórias da Cidade'.

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Em 1994 regressou à RTP, com ‘Histórias que o Tempo Apagou'. Seguiram-se ‘Lendas e Narrativas' (1995), ‘Horizontes da Memória' (1996), ‘Mitos Eternos' (1999) e, nos últimos anos, ‘A Alma e a Gente', cujo último episódio foi para o ar em 2011.

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