"O apelido Veloso pesa no bom sentido": Zeca Veloso estreia-se a solo

Filho de Caetano lança o primeiro disco, 'Boas Novas', mas salvaguarda que não se considera músico.

20 de janeiro de 2026 às 01:30
Zeca Veloso Foto: Elisa Maciel
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Tinha Zeca Veloso apenas dez anos de idade quando, numa ida à igreja com a sua ama, passou por uma experiência espiritual que acabou por influenciar toda a sua vida. "Lá eu tive uma experiência e passei a crer. Passei a ouvir um chamamento, uma voz a falar comigo, dentro de mim e que me chamava para estar perto dele. Por isso passei a frequentar mais a igreja e a ler a Bíblia. Houve vários momentos em que essa voz aparecia, me conduzia e me apontava coisas" começa por explicar o filho de Caetano Veloso que, se durante vários anos andou ligado a outras vertentes da criatividade, em 2018 decidiu abraçar a música. Agora lança o seu disco de estreia, 'Boas Novas' e justifica: "Quase todas as composições deste disco vieram dessas experiências e da relação com essa voz", diz em entrevista ao CM, salvaguardando, no entanto, que ainda hoje não se considera músico. 

"Nunca fui músico profissional e ainda não sou. E não estou a ser modesto. Eu tinha feito algumas músicas em casa, uma delas 'Todo o Homem', aos 25 anos. Quando a fiz foi um grande surpresa. Fiquei muito impactado com aquilo mas depois fiquei vários anos sem compor e foi sendo essa voz que me ajudou", explica. O pai, Caetano Veloso, convidou-o depois para fazer parte do espetáculo que veio a chamar-se 'Ofertório' (passou por Portugal) e a vontade de começar a compor chegou em 2018, sendo que a gravação do disco arrancou em 2020, impulsionado pelo tema 'Boas Novas' que Zeca escreveu inspirado na espera pelo nascimento do sobrinho durante a pandemia. 

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Admitindo que o apelido Veloso "pesa" e "enaltece", mas "pesa no bom sentido", diz que com o pai que não há comparação possível possível ("o meu pai é o meu pai"). Claro que ele influencia e é um privilégio estar perto dele, mas nós só tentamos fazer o melhor. Eu acho que mais do que a música herdei dele esta paixão pela criação". Para já ainda não existem datas marcadas para Zeca apresentar o disco em Portugal, mas o músico mal pode esperar pelo reencontro com o nosso país ou não tivesse a relação com os portugueses começado bem cedo. "Em criança acompanhei muitas digressões do meu pai e lembro-me especialmente dos passeios no Porto, assim como os espectáculos nos coliseus e as idas às casas de fados".  


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