Investigação diz que se passaram 20 segundos entre o descarrilamento de um comboio até à colisão com o outro, mas causas do acidente estão ainda por apurar. Acidente fez mais de uma centena de feridos.
Imagens aéreas mostram destruição após colisão de comboios de alta velocidade em Espanha
AP
Já está em curso uma investigação ao brutal acidente ocorrido no domingo à noite em Córdoba entre um comboio de alta velocidade que tinha partido de Málaga rumo a Madrid, que descarrilou, invadiu outra linha e embateu num outro, causando a morte a pelo menos 39 pessoas e causando mais de uma centena de feridos. O ministro do Interior espanhol fala num acidente "tremendamente estranho" e que será necessário esperar pelo resultado de uma investigação, a cargo de uma comissão especializada e competente para estes casos, que deverá demorar cerca de um mês.
Até ao momento ainda se desconhecem os motivos que levaram ao descarrilamento do comboio de alta velocidade. O ministro do Interior espanhol, Óscar Puente, referiu esta madrugada durante uma conferência de imprensa que, depois de falar com peritos em matérias ferroviárias, que se trata de um acidente "tremendamente estranho", sobretudo porque aconteceu numa reta. Além disso, o comboio que descarrilou é praticamente novo - nem quatro anos tinha. O governante lembrou ainda que a via onde tudo aconteceu estava totalmente renovada - tinha sido feito um investimento de 700 milhões de euros em obras que foram concluídas em maio. O comboio que descarrilou, de acordo com a empresa responsável pela manutenção, tinha sido vistoriado no dia 15 de janeiro. Uma equipa de investigadores, de acordo com o jornal El Mundo, adiantou que passaram sensivelmente 20 segundos entre o descarrilamento de um dos comboios e a colisão com o outro. De acordo com o El Mundo, apesar das obras na via, trata-se de um troço onde têm existido alguns problemas. Segundo o mesmo jornal, em junho, os comboios sofreram vários atrasos devido a pequenos incidentes relatados pela Adif, empresa responsável pela gestão da infraestrutura. O presidente da empresa ferroviária estatal espanhola, entretanto, referiu esta segunda-feira que a responsabilidade de erro humano "está praticamente descartada". “Deve estar relacionado com o material circulante da Iryo [o comboio que descarrilou] ou com um problema de infraestrutura ”, acrescentou.
Uma passageira que viajava no comboio que fazia a ligação Málaga-Madrid, contou ao El País que começou a sentir vibrações antes do embate que provocaram a queda de malas na carruagem, e que depois se deu o choque. "Quando começámos a sair vimos os vagões retorcidos e dois vagões do outro comboio tombados." Outro passageiro contou ao mesmo jornal que o comboio onde seguia, a determinada altura, começou a balançar de um lado para o outro até parar: "Quando saí deparei-me logo com uma pessoa morta. Tentámos ir até ao vagão 1, mas estava completamente destruído. As pessoas pediam ajuda e tentámos retirá-las, mas foi muito difícil." O mesmo passageiro adiantou que os serviços de emergência demoraram “aproximadamente uma hora” a chegar ao local. María Vidal, de 32 anos, que viajava no comboio que descarrilou, sentiu algo como "um terramoto”. “Começou tudo a tremer, depois o comboio travou bruscamente e as luzes apagaram-se. A tripulação do comboio perguntou logo se havia médicos disponíveis para atender os feridos. Ficamos lá dentro cerca de 40 minutos. Vi algumas pessoas em estado muito grave”, contou.
Pelo menos 39 pessoas perderam a vida no acidente. Há ainda registo de 152 feridos, segundo fontes citadas pela agência Europa Press. O presidente do Governo Regional da Andaluzia, Juan Manuel Moreno, atualizou o número de feridos internados em hospitais andaluzes após o acidente ferroviário. Dos 48 feridos que permanecem hospitalizados, 12 estão em diversas unidades de terapia intensiva na cidade de Córdoba. Entre os internados, estão cinco crianças, todas no Hospital Rainha Sofía, em Córdoba, uma delas nos cuidados intensivos. Entre as vítimas mortais está o maquinista do comboio Alvia, de 27 anos. E 30 feridos foram transferidos para hospitais em estado grave. O diretor-chefe dos bombeiros de Córdoba, Paco Carmona, relatou que resgataram pessoas com “cortes, contusões e fraturas expostas”, e que “um emaranhado de metal” dificultou o acesso às vítimas que viajavam nos vagões mais afetados. O prefeito de Adamuz, Rafael Moreno (PSOE), disse ao El País que, ao chegar ao local do acidente, encontrou “uma cena de total devastação”.
A investigação às causas do acidente está para já entregue a uma equipa multidisciplinar de investigadores que vão começar a analisar meticulosamente os trilhos onde se deu o acidente para tentar apurar a razão do comboio que fazia a ligação Málaga-Madrid ter descarrilado. A equipa encarregue do caso contará com especialistas que trabalham sob a direção da Comissão de Investigação de Acidentes Ferroviários (CIAF), criada em dezembro de 2007 como um órgão independente, embora vinculada ao Ministério dos Transportes, para conduzir as investigações técnicas após acidentes e incidentes ferroviários. O ministro dos Transportes espanhol, Óscar Puente, deixou claro que para já “é impossível especular sobre as causas do acidente, que são muito estranhas". O mesmo responsável adiantou que todos os especialistas consultados nesta primeira fase “expressaram perplexidade” e pediram pelo menos um mês para a divulgação dos primeiros resultados da investigação.
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