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Jovens vão pagar mais juros com créditos da casa cada vez mais longos

Alargamento da maturidade dos contratos reduz a prestação mensal, mas tem um senão: o custo total do empréstimo sobe. Novas recomendações entram em vigor em agosto.

27 de julho de 2026 às 01:30

Com os preços das casas a baterem recordes sucessivos, a solução para comprar casa passa cada vez mais por alongar o prazo dos empréstimos, de modo a reduzir a prestação mensal a pagar ao banco. As novas regras que entram em vigor em agosto já levam em conta este atual contexto e vão alargar de 37 para 40 anos a maturidade máxima dos contratos para mutuários entre os 30 e os 35 anos de idade. Vai ainda ser eliminada a recomendação relativa à maturidade média dos contratos (30 anos), que obrigava os bancos a gerir o prazo médio da carteira de crédito à habitação. Se, por um lado, este prolongamento do prazo de liquidação dos empréstimos reduz a taxa de esforço das famílias ao baixar a prestação mensal, por outro, traduz-se no pagamento de mais juros ao longo do contrato.

“O alargamento da maturidade de um contrato de financiamento implica, naturalmente, um acréscimo no total de juros suportados, agravando o custo total com o empréstimo”, apontou Nuno Rico, economista da Deco Proteste, ao Correio da Manhã.

No caso dos mutuários com mais de 35 anos de idade, “mantêm-se os limites previamente existentes” (35 anos de maturidade máxima). Segundo o Banco de Portugal, o prazo médio dos contratos de crédito à habitação já estava, no ano passado, nos 31,7 anos. O aumento dos preços das casas está, também, a ter reflexos no crescimento do endividamento das famílias. “As famílias portuguesas estão a aumentar o seu endividamento em cerca de 37 milhões de euros por dia. No último ano, esta evolução foi quase quatro vezes superior à média europeia”, salienta Nuno Rico, da Deco Proteste.

É fruto deste contexto que a taxa de esforço máxima recomendada no crédito à habitação vai baixar dos atuais 50% para 45%, o que vai ao encontro do que a Deco Proteste tem defendido. “Com uma conjuntura de elevada incerteza económica e subida das taxas de juro, uma diminuição dos rendimentos das famílias e/ou a subida da inflação poderão trazer enormes dificuldades às famílias para continuarem a cumprir com os seus contratos e potenciar uma eventual crise de crédito. Apesar de ainda estarmos longe desse cenário, esta medida do Banco de Portugal procura atenuar este risco”, afirma o economista Nuno Rico ao nosso jornal.

Impacto reduzido nos preços das casas

A Deco Proteste antevê um impacto reduzido do apertar das regras do crédito à habitação nos preços das casas. Nuno Rico admite que, “ao diminuir os montantes máximos de financiamento que os mutuários podem solicitar, poderá ocorrer um arrefecimento da procura e, desta forma, levar a um abrandamento na evolução dos preços ou até a uma eventual diminuição”. Porém, “considerando todos os restantes fatores que têm vindo a influenciar a evolução recente dos preços dos imóveis no nosso País, é expectável que o impacto não seja muito significativo”, nota o economista.

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