‘O Filho’: Uma tragédia sem culpados nem solução

Obra é a nova encenação de João Lourenço e parte de um texto do famoso Florian Zeller.

24 de abril de 2023 às 08:36
Rui Pedro Silva, Cleia de Almeida, Paulo Pires, 'O Filho' Foto: filipe figueiredo
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Para quem tem um filho adolescente – ou ainda não esqueceu a sua própria adolescência – há uma peça em cena que vale mesmo a pena ver. ‘O Filho’ é a mais recente encenação de João Lourenço no Teatro Aberto e o próprio reconhece que foi “feliz” neste espetáculo em que põe em cena uma família obrigada a confrontar-se – da forma mais brutal – com a doença mental de um filho.

O texto é de Florian Zeller – um nome que o público conhece desde que viu, no mesmo Teatro Aberto, ‘O Pai’, que valeu a João Perry (mais) uma interpretação inesquecível. No mesmo espírito, chega-nos este ‘O Filho’, que o encenador considera ser “ainda mais abrangente”.

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“Esta é uma peça verdadeiramente trágica, no sentido em que não há um responsável pelo problema, nem uma solução evidente”, afirma João Lourenço, que tem visto os espectadores saírem da sala que gere de lágrima no olho. “Sinto-me sensibilizado, porque percebo que as pessoas saem daqui e continuam a pensar naquilo que acabaram de ver – e esse é sempre um objetivo de quem faz teatro”, explica, acrescentando que há mérito no texto de Zeller, que “obriga o espectador a segui-lo do princípio ao fim”. Ainda assim, admite que, juntamente com a dramaturgista Vera San Payo de Lemos, lhe fez “alguns acrescentos”, que aparecem em filme e “ajudam a iluminar aquilo que vai na cabeça do rapaz”. No elenco, alguns nomes habituais da casa – como Paulo Pires e Cleia de Almeida – a quem se juntam o jovem Rui Pedro Silva (um ‘filho’ formidável), Pedro Rovisco, Paulo Oom e, em estreia no Teatro Aberto, Sara Matos (na pele da madrasta). É para ver de quarta a domingo, na Sala Azul.

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