Um Porsche à medida de Joana Vasconcelos
Museu de Artes Decorativas Portuguesas mostra a mais recente (e irreverente) obra a artista plástica portuguesa.
Mostrar a fabulosa viagem “de trás para a frente” da criação de uma obra de arte de Joana Vasconcelos - partindo do resultado e desconstruindo-o até à ideia inicial - é a mais recente proposta do Museu de Artes Decorativas Portuguesas (MADP) da Fundação Ricardo do Espírito Santo Silva, em Lisboa, na exposição, intitulada 'Drag Race – A Transgressão do Barroco'.
A primeira vista, parece um carro. Um carro à boa maneira de Joana Vasconcelos, entenda-se. Na verdade, é a reinvenção do Porsche 911 Targa Carrera, não apenas como objeto, mas como manifesto: a celebração da exuberância, da fantasia e a desconstrução do aparato institucional, que assalto o espaço e consequentemente sequestram o olhar.
A opulência resplandecente da talha dourada portuguesa (com suas curvas voluptuosas e ornamentos inspirados nos motivos marinhos do Mosteiro de Tibães) e a magnificência do Coche dos Oceanos (jóia da coleção do Museu Nacional dos Coches, em Lisboa) são as inspirações centrais da criação. Mas depois da premissa-base vem o resto: o esplendor barroco das carruagens de D. João V, símbolo de um luxo teatral, entrelaça-se com a irreverência das plumas vermelhas, ícone de liberdade e subversão.
Para concretizar a peça, Joana Vasconcelos recorreu à Fundação Ricardo do Espírito Santo Silva, referência na área das artes decorativas portuguesas, utilizando a conhecimento e a habilidade dos seus artífices, em áreas tão variadas como a talha ou a cinzelagem, contribuindo de forma indelével para a afirmação das técnicas tradicionais portuguesas e a sua preservação, reunindo na mesma obra a tradição e a contemporaneidade.
A exposição já abriu portas ao público, no passado fim de semana, e ficará patente até 30 de novembro.
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