'O Princípio da Incerteza' com Virgílio Castelo e Ana Guiomar no Teatro Aberto em Lisboa

Atores dão cara e corpo às personagens solitárias e desamparadas que Stephens criou e emprestam-lhe substância humana e credibilidade.

08 de julho de 2024 às 01:30
Virgílio Castelo
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O espetáculo começa com a projeção de um vídeo que mostra um homem a caminhar, sozinho, por uma cidade europeia, cinzenta, despersonalizada. A certa altura percebemos que é Londres. Uma mulher, mais jovem, aproxima-se dele na estação de comboio e, tomando-o por outra pessoa, entabula conversa. É o início de uma relação entre duas pessoas que, pelo menos aparentemente, tudo separa. A idade (ele tem 75, ela 38), a situação socioeconómica, as experiências de vida. E no entanto...

‘Heisenberg – O Princípio da Incerteza’ é o texto que o britânico-irlandês Simon Stephens publicou em 2015 e que João Lourenço elegeu para a sua nova encenação no Teatro Aberto, em Lisboa.

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No palco da Sala Azul, Virgílio Castelo e Ana Guiomar dão cara e corpo às personagens solitárias e desamparadas que Stephens criou e emprestam-lhe substância humana e credibilidade. Para algum desconforto do espectador, a ligação entre estes dois seres – que vai atravessar várias fases e passar por muitos conflitos (alguns dos quais difíceis de tolerar) – nunca ficará ‘resolvida’. É o tal “princípio da incerteza” para o qual o título do texto nos alerta. O próprio autor sugere que “a incerteza, em vez de ser assustadora, pode ser o início de uma aventura fantástica”. E se Virgílio Castelo admite ter “dúvidas sobre este tipo de relação”, Ana Guiomar acredita piamente que a ligação entre Alex e Georgie “é superverdadeira”. Já o encenador diz “gostar muito” da peça.

“Acho que, aparentemente, conta uma história muito simples, mas não: é uma peça difícil, com muitas camadas e que coloca muitos desafios ao trabalho do ator”, diz ele, que assina também o cenário. Com dramaturgia de Vera San Payo de Lemos, vídeo de Nuno Neves, figurinos de Marisa Fernandes, e luz de Anabela Gaspar, ‘Heisenberg’ vai estar em cena até 28 de julho, com sessões às quartas e quintas às 19h00, sextas e sábados às 21h30, e aos domingos às 16h00.

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