Pedro Mexia escreve ópera para o Teatro da Trindade em Lisboa
Poeta concebeu a história de um sedutor inveterado que é castigado.
Pedro Mexia já assinou peças de teatro, já escreveu para cinema, já fez a letra para uma canção pop. Ao poeta e ensaísta já só faltava escrever o libreto para uma ópera. E eis que a oportunidade surgiu, no espetáculo ‘Canção do Bandido’, em cena no Teatro da Trindade, Lisboa, até domingo.
Inspirada no conto ‘O Macaco de Rabo Cortado’, esta "ópera cómica" põe em cena um advogado sedutor que, mais tarde ou mais cedo, vai ser apanhado e castigado. "Quando me convidaram para este projeto fiquei perplexo, porque nunca pensei escrever um libreto na vida... Mas, depois de me dizerem que seria uma ópera cómica – género que prefiro–, fiquei mais tranquilo", diz Pedro Mexia que assina esta coprodução com o Teatro Nacional de São Carlos ao lado do compositor e maestro Nuno Côrte-Real e do encenador Ricardo Neves-Neves.
Desde o princípio que o escritor quis usar o conto tradicional como base para contar uma história de sedução. Muito pertinente nos tempos que vivemos. "O que era permitido deixou de o ser; o que era feito à socapa agora é denunciado. Foi disso que me apeteceu falar: não do abuso moral, mas do abuso de poder que subjaz a estes casos de assédio sexual", revela.
Admitindo a influência, neste seu trabalho, da ópera ‘Don Giovanni’, de Mozart, Pedro Mexia conclui que "gostou tanto" de todo o processo de criação e que até se via a voltar à ópera... Para já, ‘Canção do Bandido’ pode ser visto sábado e domingo. Bilhetes dos 12 aos 20 euros.
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