Quando o desenho era uma arma
Cartoons editados no período da Revolução estão a partir de esta terça-feira expostos no Museu Bordalo Pinheiro, em Lisboa.
Um total de 130 cartoons, caricaturas e desenhos, de nomes como Augusto Cid, João Abel Manta, José Vilhena, feitos no período da Revolução do 25 de Abril de 1974, integram a exposição ‘O Humor Unido Jamais Será Vencido - os cartoons da Revolução (1974-1976)’, que é esta terça-feira inaugurada no Museu Bordalo Pinheiro, em Lisboa.
“Partindo, na sua maioria, de desenhos publicados na imprensa da época por autores tão representativos como António, Cid, João Abel Manta, José Vilhena, Sam e Vasco, esta mostra procura lançar um olhar bem-disposto sobre um período agitado da História de Portugal através da exibição de cartoons selecionados da vasta obra gráfica de artistas que aproveitaram o fim da censura para mostrar outros ângulos de observação, simultaneamente críticos e divertidos, sobre os acontecimentos de que eram testemunhas privilegiadas”, lê-se em texto de apresentação da exposição.
Com curadoria do historiador Paulo Jorge Fernandes, a exposição é dividida em três núcleos. O primeiro dá destaque “aos antigos governantes até então intocáveis, Presidentes da República, chefes de Governo, ministros, deputados, membros do Conselho da Revolução ou empresários conhecidos”; o segundo “apresenta desenhos sobre o contexto internacional no qual o processo revolucionário português decorreu, com os cartoonistas a registarem o interesse “dos líderes do mundo ocidental”, encabeçado pelos Estados Unidos da América, e do bloco de leste, dirigido pela União Soviética”; e o terceiro e último núcleo aborda a forma como a imprensa portuguesa deu “expressão gráfica” a ideologias, como “comunismo, socialismo, social-democracia, democracia cristã, fascismo”, “cuja simples menção era proibida no País da PIDE e da censura”.
A exposição está patente até 9 de março de 2025.
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