Salões eróticos e feiras de toiros
Que fanatismos fundamentalistas se podem dar ao papel de discriminar culturas?
Ninguém nos confunda, aos que gostamos de tauromaquia, com traumatizados perdidos, sem esperança de melhores tempos. Tão-pouco pensem alguns que andamos todos distraídos. Muitos de nós olhamos à nossa volta e concluímos que vale a pena lutar pela festa de toiros, quanto mais não seja denunciando provas de discriminação face aos actuais caminhos de Portugal no que toca a algumas questões de educação e cultura, como dizia Mário Laginha sobre música.
Hoje permito-me comparar duas iniciativas, uma taurina, a outra erótica. As televisões mostraram. A Imprensa escrita, em textos ‘apimentados’, com fotos a condizer, promoveram e divulgaram o recente Salão Erótico em Gondomar, terra que, por coincidência, tem em ‘cena’ judicial um dos mais ‘picantes’ temas dos últimos anos, onde certos apitos terão soado mais alto...
Com enormes destaques e fotos de olhares embevecidos, dizem (...) que tal Salão Erótico foi visitado durante quatro dias por 26 mil pessoas. Mais: que “a feira mostrou o forte da indústria portuguesa e reuniu artistas nacionais e estrangeiros”, e até um político terá afirmado que “na cultura não pode haver tabus”!
Ora bem! Quanto a temas eróticos e abordagem às questões do sexo, há um mundo de vertentes, para análise e reflexão. E, tal como na Festa de Toiros, só lá vai quem quer, para isso pagando o seu bilhete.
Salvo raras excepções (e o CM foi uma delas) como foram tratadas as edições da Feira do Toiro, em Santarém, pela Imprensa não especializada? Onde andaram os políticos e autarcas da nossa Cultura e da nossa Economia? Em Gondomar, em quatro dias, 26 mil visitantes! Em Santarém, apenas em dois dias e meio, mais de 40 mil (e que também pagaram para ver)!!!
Que acompanhamento foi dado à estampa por quem tem o dever de o fazer? Pelos vistos, junto do poder político e da Comunicação Social, foram mais importantes os 26 mil visitantes em quatro dias do que os 40 mil em dois dias e meio!
“Na cultura não pode haver tabus”? Claro que não, mas se isso é válido para um Salão Erótico também o tem de ser para a Festa de Toiros e outras culturas.
Que raio de mentalidades temos de aturar que pretendem estrangular as tradições taurinas? Que fanatismos fundamentalistas se podem dar ao papel de discriminar culturas? Que missão e consciência têm aqueles que promovem e divulgam, em estilo especulativo, a exibição de mulheres perante olhares de escárnio, ‘atraso mental’ (...) e frustrações, e depois dizem que a Festa de Toiros é que é de marialvas e machistas?!...
Claro, a Feira (internacional) de Toiros, em Santarém, acabou. Olivenza (Espanha e ex-Portugal...) chegou depois e continua com total sucesso. Se calhar porque em Espanha não há tabus e em Portugal há. Por cá, querem ter direito ao apoio e à grande divulgação? Querem ser importados? Querem, até, matar toiros? A solução está aí: dispam-se cavaleiros(as), toureiros e forcados, e arrimem-se em faenas eróticas que, então sim, serão cultura para a Política de Portugal.
Ganadaria de Pontes Dias foi referida por lapso como tendo lidado a 1 de Fevereiro em Mourão quando se tratava de toiros de Dias Coutinho. A ambas as ganadarias, e aos leitores do CM, as devidas desculpas.
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