UMA VIDA DEDICADA ÀS ARTES
Contar toda uma vida dedicada às artes, a de Maria Helena Mendes Pinto, através de magníficas peças que a conhecida investigadora seleccionou para importantes exposições em Portugal e no estrangeiro, é o objectivo da mostra ontem inaugurada na Fundação Calouste Gulbenkian (FCG), em Lisboa.
Com a exposição “Peregrinações – De Portugal ao Japão: Artes Decorativas, Séculos XVI-XIX”, o Serviço Internacional da FCG assinala também o 80.º aniversário daquela que é considerada a maior especialista do mobiliário português e da arte “namban” e fâ-lo em colaboração com as três conservadoras com as quais Maria Helena trabalha há muitos anos: Maria Fernanda Passos Leite (Museu Gulbenkian, desde 1978), Maria da Conceição Borges de Sousa (Museu Nacional de Arte Antiga, 1987) e Maria Madalena Ataíde Garcia (Museu de Arte Popular, 1998).
“Esta mostra significa muito para mim. Nela encontro as peças de artes decorativas de que mais gostei e estudei ao longo de 20 anos da minha vida”, declarou ao CM a investigadora que só soube há uma semana da mostra/homenagem, que vinha sendo organizada há um ano.
“Nunca fiz nada sozinha. Fiz tudo sempre acompanhada e mantenho a mesma equipa”, disse Maria Helena, que desde 1992 colabora com o Serviço Internacional da FCG.
A exposição, patente até 7 de Setembro, está dividida em 18 núcleos cronológicos que pretendem abarcar o maior número de trabalhos realizados pela investigadora.
“Através de algumas das peças mais emblemáticas seleccionadas por Maria Helena para diversas exposições ou estudos, acompanhamos o seu percurso em Portugal e no estrangeiro”, explicou.
A apreciar, assim, um conjunto ímpar de peças artísticas e históricas de móveis, têxteis, ourivesaria e vidros que reflectem as influências culturais entre Portugal, o Oriente e África.
Tal é o caso do mobiliário português, em destaque com peças muito emblemáticas e que, segundo Maria da Conceição Borges de Sousa, “permitem comparar e traçar a sua evolução, desde o século XV ao XVIII. Ou seja, é possível ver como o mobiliário português foi perdendo as suas características originais quando começou a receber influências estrangeiras”.
Ao prepararem a mostra, as três conservadoras pretenderam realçar os traços principais da personalidade de Maria Helena.
“É uma pessoa de um raro rigor científico e com uma enorme capacidade de trabalho”, sublinhou Maria Madalena, acrescentando: “É muito perfeccionista e exigente. Quando delega uma tarefa, verifica e controla tudo”.
As “peregrinações” de Maria Helena levam o visitante por vários projectos marcantes da vida cultural nacional das últimas décadas, como a XVII Exposição de Arte, Ciência e Cultura (1983), a mostra “Arte Namban” (1989), o Festival Europália’91, as mostras “Vasco da Gama e a Índia” (1998) e “Traditional Arts of Portugal” (2002) e o Museu Indo-Português de Cochim (no mesmo ano), entre muitos outros.
Maria Helena Mendes Pinto nasceu em 1923, em Lisboa. Tirou os cursos de Enfermagem e de Artes Decorativas da Fundação Ricardo do Espírito Santo Silva. Em 1959, iniciou a sua formação no Museu Nacional de Arte Antiga, sob a orientação de João Couto. O mobiliário português e indo-português é a sua especialidade.
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