Varanda demitida por “incompatibilidade”
Responsável da DGArtes mantinha cargo de direção em projeto subsidiado pelo Governo.
Incompatibilidade" e "perda de confiança política" foram as razões ontem apontadas pelo ministro da Cultura para a demissão de Paula Varanda, diretora-geral das Artes (DGArtes), depois de saber que esta "manteve funções numa entidade cultural, o que configura uma incompatibilidade". Em comunicado, o gabinete de Luís Filipe Castro Mendes disse que "teve conhecimento [da situação] recentemente".
Foi na quinta-feira que o Ministério da Cultura foi confrontado com uma investigação do programa ‘Sexta às 9’, da RTP 1 (emitido ontem à noite), que revela que Paula Varanda nunca deixou de ser diretora artística da Dansul, promovida pela AMDA – Associação em Mértola para Desenvolver e Animar, a cuja direção também preside e que, entre 2008 e 2014, recebeu mais de 115 mil euros em apoios.
A investigação revela ainda que, em 2017, Paula Varanda assinou um contrato com a RTP no valor de 22 mil euros para produzir o documentário ‘Andar em Frente’, sobre o cancro da mama.
Face a estas acusações, Paula Varanda disse, em comunicado, que cessou funções como diretora artística da Dansul em 2016, após ter recebido o convite para a DGArtes, mas continuou na direção do projeto (AMDA) "porque a Assembleia Geral não conseguiu até à data apresentar um novo corpo gerente ou deliberar o encerramento da associação", garantindo que não auferiu "qualquer remuneração".
Sobre o documentário da RTP, diz que se tratou de "serviço voluntário" e que o dinheiro serviu para pagar à equipa.
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