VIAJAR ATRAVÉS DOS LIVROS

Hoje é o Dia Mundial do Livro e o Instituto Português do Livro e das Bibliotecas (IPLB) tratou da festa.<BR>Neste contexto, apertem-se os cintos porque, entre as 10h00 e a meia-noite, estamos de viagem por livros e escritores, seleccionados a partir do tema do ano: a Viagem.

23 de abril de 2003 às 00:00
VIAJAR ATRAVÉS DOS LIVROS Foto: Arquivo CM
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“Este tema, escolhido pela amplitude das suas potencialidades, pretende chamar a atenção para a viagem que cada livro pode ser, bastando para isso que cada leitor se disponha a largar amarras e a partir para o encontro com novos lugares, novas emoções , novas ideias”, dizem-nos do IPLB.

Entretanto, e a promover o programa de festas, estão três cartazes e uma brochura com uma selecção bibliográfica alusiva ao tema, a distribuir pelas bibliotecas municipais e principais livrarias do País.

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Trabalho da jornalista Paula Moura Pinheiro, a selecção abre com a “Odisseia”, de Homero, e fecha com “Na Sibéria”, de Colin Thurbron. Entre um e outro, os autores de língua portuguesa presentes são: Pêro Vaz de Caminha, Camões, Fernão Mendes Pinto, Almeida Garrett, H. Capelo e R. Ivens, Wenceslau de Moraes, Eça de Queiroz e Raul Brandão.

“O percurso apresentado levará certamente o leitor à interiorização do próprio conceito de viagem. A variedade de experiências apresentadas levá-lo-à a espaços e tempos múltiplos, e fá-lo-à revisitar Camões, Garrett, Eça ou Raul Brandão ou conhecer Isabelle Eberhardt, Elias Canetti ou Colin Thurbron. Que a viagem se inicie...”, nas palavras de Rui M. Pereira, director do IPLB.

ordem de marcha

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Para além das actividades a desenvolver por cada biblioteca municipal, a pompa e circunstância da programação joga-se no Porto, mais precisamente na Biblioteca Municipal Almeida Garrett.

A ordem de marcha aponta às 10h00 para um ‘pedipaper’ nos jardins do Palácio de Cristal, a partir da obra de Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada, “No Coração da África Misteriosa”.

À tarde, pelas 15h00, há contos viageiros ou seja sessões de conto a realizar quer no espaço da biblioteca quer no bibliocarro... “O Meu Amigo Jim” de Kitty Crowther, em português e francês por professores do Instituto francês da Invicta.

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Uma hora mais tarde, é tempo de teatro, com o grupo Art’Imagem sobre o texto de Tolstoi: “Babine, o Parvo” e às 17h00 é hora de premiar os melhores entre os bons... E o Prémio Nacional de Ilustração de 2002 vai para Alain Corbel, pelo trabalho realizado nos “Contos e Lendas de Macau”, de Alice Vieira.

Entregue o prémio vamos ao colóquio. Intitula-se “Viajar nos Livros” e por participantes Júlio Machado Vaz, Francisco José Viegas, Manuel António Pina, Carlos Magno, Germano Silva e Rosa Alice Branco. Leitura a cargo de António Durães.

Quando forem 21h00, vamos ao cinema com Bernardo Bertolucci, ou seja, passa o seu filme a partir da obra de Paul Bowles, “O Céu Que nos Protege”, para sempre conhecido como “Um Chá no Deserto”.

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leituras e feira

Em Lisboa, na Fnac Chiado, acontece, entre as 10h00 e as 22h00, a maratona literária com vários autores. Cada um irá ler dez minutos de poesia à escolha e serão antecipados alguns lançamentos. É o caso de Fernando Ribeiro, cuja leitura inclui inéditos do novo “As Feridas Essenciais”, a editar durante este ano.

No centro do País, em Coimbra, arranca a Feira do Livro com obras a metade do preço ou com descontos de 20 por cento. Camões, Fernando Pessoa, Antero de Quental e Florbela Espanca vão “aparecer” para dar autógrafos, numa encenação protagonizada por actores locais amadores.

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Ainda antes do dia acabar, a Câmara vai premiar os três leitores que mais obras requisitaram durante o primeiro trimestre deste ano à biblioteca municipal, oferecendo uma colectânea de poesia.

António Alçada Baptista

“Uma obra que eu recomendaria é ‘O Fio da Navalha’, do Sommerset Maugham, editado pelos Livros do Brasil. Embora o autor tenha deixado de ser considerado pela crítica, por não ser político, é um escritor muito bom, que não chateia nada os leitores”.

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José Eduardo Agualusa

“Neste momento estou a ler a autobiografia do Gabriel García Márquez, “Viver para Contá-la”, que recomendo vivamente. É uma obra que mistura habilmente a ficção e a realidade e que nos ajuda a compreender melhor o universo deste escritor”.

Margarida Rebelo Pinto

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“Recomendo a ‘Obra Completa de José Agostinho Baptista’. Porquê? Para já porque gosto muito de poesia e depois porque este autor é, simplesmente, um dos maiores poetas portugueses vivos. Imprescindível”.

“Recomendo a autobiografia do García Márquez, que ando agora a ler. Aliás, recomendo qualquer livro dele, pois é um autor excelente sob todos os pontos de vista. É daqueles escritores que cativa até as pessoas que não têm grandes hábitos de leitura”.

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