Promessa da música africana recordou o longo caminho que percorreu.
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Foi uma das revelações da edição de 2019 do ‘Kriol Jazz Festival’, na cidade da Praia. Com um Jazz banhado numa voz forjada no Gospel, a angolana Anabela Aya arrasou em palco, no contexto do projeto ‘D’Alma Lusa’.
Em conversa com CM, esta promessa da música africana recordou o longo caminho de terra que percorreu, como construiu o álbum Kuameleli e como vai conquistar o mundo.
O projeto D’Alma Lusa, no Kriol Jazz Festival, correspondeu à sua expetativa?Correspondeu. Acho que os elementos dos D’Alma Lusa foram escolhidos a dedo. Estive em contacto com a brasileira Roberta Campos e foi um casamento perfeito em português.
Anabela Aya: “Quero ser autêntica e conquistar o mundo”
O tema ‘Tic-Tac’ tornou-se o seu grande sucesso. Esperava que assim fosse?Não, foi um espanto. As pessoas gostam e por acaso não estava à espera. É um ‘Blue’ e a música predominante lá pelas minhas bandas são os sembas, as kizombas e os kuduros.
Andava a cantar há quantos anos?Há 15. Fui cantora de bares para ganhar dinheiro e pagar do meu bolso a gravação do álbum Kuameleli (‘Seguir em Frente’, o disco de estreia em 2019).
Era fundamental ser independente?Sim e a minha música é diferente. Bati a algumas portas e o feedback não era bom. Como não sou mulher de ficar parada, decidi fazer eu o meu Kuameleli, à minha maneira, com as minhas condições, pago por mim.
É um disco com letras e composições da Anabela?Sim, 50% são minhas. As outras são de artistas de que eu gosto, a quem fui pedir músicas e fui resgatar um clássico angolano, o ‘Tia’, porque gosto muito das músicas dos cotas.
Venceu o Festival da Canção de Luanda em 2017. Isso deu-lhe o empurrão que faltava.Deu. Sempre cantei, mas até ao Festival da Canção – e até ser considerada diva da música (risos) – era a Anabela dos bares e pouco mais. Ainda não tinham percebido que andava ali há 13 anos a fazer as coisas.
Andou 13 anos cantava em bares, as portas fechavam-se, mas a Anabela lutou.Lutei sempre contra o óbvio, o rápido e o fácil. É mais do que lutar, está-me no sangue. É uma coisa minha. Foi difícil desviar-me do que era a minha essência. A tendência dos artistas que vieram do Gospel é inclinarem-se para estas sonoridades mais calmas, para músicas que, de alguma forma, nos colocam a pensar, a analisar o que vamos oferecer às pessoas. É arte e temos de ser cuidadosos com o que oferecemos.
De forma séria, mas com muita alegria.Ai, sim, acima de tudo, sempre com alegria. Eu gosto de deixar as coisas muito nas entrelinhas. Gosto de trabalhar tudo… Pensar como vou colocar a voz ali. As pessoas precisam de olhar para uma música e precisam de se apaixonar por ela várias vezes. Todos os dias.
Preocupa-se com a sua imortalidade artística? Com a forma como quer ficar na história?Preocupo-me, senão não me serviu de nada trabalhar. Quero trabalhar para a excelência, senão não serve de nada deixar os meus filhos em casa para estas viagens longas para ir cantar fora, fazer noitadas e amanhã não ser lembrada. Seria muito sacrifício para nada. Quero ter essa carreira internacional. Quero conquistar o mundo. Quero ser autêntica. Posso fazer bem feito e tenho obrigação de o fazer.
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