Cantor lutava contra um cancro. Estava internado num hospital em São Paulo e sucumbiu a uma insuficiência hepatorrenal.
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Aquilo que Deus decidir será aceite por mim." Quando em Janeiro deste ano Roberto Leal revelou que sofria de cancro de pele, afirmou também que, por ser um homem de fé, já tinha entregue o "dossiê da sua saúde" nas mãos de quem o poderia resolver.
O cantor, que há mais de dois anos lutava contra um melanoma que quase lhe tirou a visão, morreu na madrugada deste domingo, dia 15, num dos departamentos de Cuidados Intensivos do Hospital Samaritano, em São Paulo. Segundo a imprensa brasileira, Roberto Leal estava internado desde quarta-feira, por complicações relacionadas com a doença. Lu Barbosa, assessora de imprensa do artista, explicou à revista ‘Veja’ que a causa do falecimento se ficou a dever a uma insuficiência hepatorrenal, decorrente do cancro: "A doença, infelizmente, evoluiu e atingiu o fígado."
O velório acontece esta segunda-feira, na Casa de Portugal, em São Paulo, a partir das 11h00 (07h00 no Brasil), estando o enterro marcado para às 19h (15h00 no Brasil), no Cemitério de Congonhas, também nesta cidade. Roberto Leal deixa a mulher, Márcia Lúcia, com quem era casado há mais de 40 anos, e três filhos: Rodrigo, de 39 anos, músico e seu produtor; Manuela Fernandes, de 36 anos, atriz; e Victor Diniz, de 29 anos, pintor.
A notícia da morte de Roberto Leal foi avançada, em Portugal, por José Cesário, ex-secretário de Estado das Comunidades e da Administração Local. "Hoje acordámos em choque. Portugal e Brasil estão de luto."
Partiu "o português mais bonito do Brasil"
Foi num navio cargueiro argentino, chamado ‘Corrientes’, que curiosamente fazia a sua última viagem transatlântica com quas duas mil pessoas a bordo, que António Joaquim Fernandes viajou, em 1962, aos onze anos, para o Brasil, juntamente com a mãe e os irmãos. Para trás deixava a terra onde nascera, Vale da Porca, no concelho de Macedo de Cavaleiros, a casa humilde onde crescera e uma vida de privações que não oferecia grandes perspetivas de futuro. "Só comia o que a terra dava e por isso tínhamos de ser muito criativos", viria a recordar.
No Brasil, entre várias atividades, trabalhou como sapateiro e chegou a vender doces na rua, mas a música estava-lhe destinada. A estreia em público, já com o nome de Roberto Leal, aconteceu em 1971, no famoso programa do Chacrinha, na TV Globo. O lendário apresentador brasileiro que conhecera uma semana antes aquele jovem português com ar nórdico, de botas ribatejanas, colete minhoto, com farta cabeleira loira e que até lhe perguntou se ele era gay, acabou a anunciá-lo como "o português mais bonito do Brasil".
Roberto foi para o ar uns minutos antes do fim do programa mas, graças a um problema técnico, teve de ficar mais um tempo. E arrasou. "No dia seguinte nem consegui sair à rua", recordou numa entrevista ao CM. Foi o começo de uma história com o Brasil que durou até aos dias de hoje, com dezenas de discos gravados, milhões de álbuns vendidos e um país a seus pés. "A própria Amália Rodrigues chegou a dizer-me que eu era a vingança dos portugueses no Brasil", confidenciou um dia. Apaixonado pelo país que o acolheu, nunca perdeu, porém a ligação a Portugal. "No Brasil sou português, em Portugal sou brasileiro, lá toco guitarra, aqui toco pandeiro. Às vezes em Lisboa, outras no Rio de Janeiro, mas sei quem sou, um português brasileiro", dizia.
Presidente lembra cantor com amizade
Marcelo Rebelo de Sousa recordou este domingo Roberto Leal "com amizade", lembrando o seu papel junto das comunidades portuguesas, nomeadamente no Brasil, com ligação às suas raízes", lê-se numa nota da Presidência da República.
"Tu vais ser o Roberto Carlos português"
Andava o ainda jovem António Joaquim Fernandes a aprender a cantar numa academia em São Paulo com mais 80 alunos quando surgiu a hipótese de adotar um nome artístico. "De vez em quando fazíamos apresentações e eu era daqueles que chegava sempre a horas. Por causa disso, o meu professor dizia-me que eu era uma pessoa muito leal. Algum tempo depois, chamou-me à parte e disse-me: ‘Tu vais ser o Roberto Carlos português’. E assim ficou: Roberto Leal."
DEPOIMENTOS Fátima Lopes
Apresentadora
"Nalguns dos momentos mais emotivos, esteve comigo"
"Tornámo-nos muito amigos. Foi há tantos anos, que lhes perdi a conta. Nalguns dos momentos mais significativos da sua vida, estive ao seu lado. Nalguns dos momentos mais emotivos da minha carreira, esteve comigo."
Herman José Apresentador "Perdeu-se um extraordinário ser humano"
António Sala Comunicador "Partiu um homem bom"
Rita Guerra
Cantora
"Um exemplo de humildade, simpatia e educação"
"Roberto Leal, o teu nome faz-me sorrir de imediato... antes de tudo o mais, és um exemplo de humildade, simpatia, educação e companheirismo. És e serás sempre muito querido por todos."
José Cid
Músico
"Se houver céu, ele está no céu de certeza"
"Estou muito chocado. Se houver céu, ele está no céu de certeza. E na primeira fila. O Roberto Leal era uma pessoa solidária com os colegas, uma joia de pessoa. Era boa gente, como se costuma dizer."
PORMENORES
Números
Roberto Leal vendeu mais de 17 milhões de discos ao longo da carreira e ganhou mais de 30 discos de ouro e 5 de platina.
‘Arrebita’
Em 1971 conseguiu o seu primeiro grande sucesso, com ‘Arrebita’, conhecida pelo refrão "Ai cachopa, se tu queres ser bonita, arrebita, arrebita, arrebita"
Filme
O cantor participou em 1978 no filme ‘Milagre - O Poder da Fé’, sobre a história da sua vida e que contava com algumas cenas gravadas em Vale da Porca.
Livro
Em 2011 lançou o livro autobiográfico ‘Roberto Leal - As minhas Montanhas’.
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