Diogo Infante tinha anunciado que, durante a sua direcção do Maria Matos (MM), aquele teatro municipal abriria as portas para receber, de braços abertos, alunos de Teatro do Conservatório Nacional. Amanhã vai cumprir a promessa, com a estreia, na sala principal do MM, de ‘8 Mulheres e 1 Homem-Aranha’, espectáculo de finalistas do Curso de Teatro da Escola Superior de Teatro e Cinema, todo ele da responsabilidade dos jovens estudantes das artes de palco.
Desde cenário a luzes, passando pelo texto, tudo é feito pelos homens e mulheres que, a partir deste momento, querem ter a sua quota-parte no teatro que se faz neste País. E a acreditar no encenador que os dirigiu, Bruno Bravo, esta ‘colheita’ tem muito para dar.
“É uma geração muito válida, que não perde tempo”, explica ao CM, ele que é pouco mais velho do que as pessoas que encenou. “Sinto, ao trabalhar com eles, que há uma linguagem nova a despontar e que tem muita força. Tenho a certeza de que estas pessoas vão dar que falar.”
Isto, mesmo com o mercado de trabalho que temos, garante o professor, que, depois de alguns anos a trabalhar com os Artistas Unidos, fundou a sua própria companhia, a Primeiros Sintomas. “Claro que temos um mercado complicado e que é quase impossível viver só do teatro em Portugal, mas se eles não se perderem a fazer só televisão...”
super-heróis
Assim que as luzes sobem, vemos oito pessoas em cena, vestidas de forma díspar e dispostas pelo palco em situações diversas: sentadas num sofá ou em cadeirões, penduradas em baloiços ou em escadotes... Quando começam a falar, percebemos rapidamente que aqui não haverá uma história com princípio, meio e fim. É mais uma sequência de monólogos e diálogos (geralmente para dois interlocutores), cujo tema é inspirado em heróis, sobretudo no Homem-Aranha – uma figura que se reveste de uma simbologia muito particular.
“Peter Parker é um jovem que está a sair da adolescência e a entrar na vida adulta, encontrando-se entre os estudos e a vida profissional e se debate com muitas dúvidas... O paralelo é óbvio”, explica Bruno Bravo.
O espectáculo, que levou seis meses a preparar, e, em cena, dura cerca de 45 minutos, tem interpretações de André Albuquerque, Bruno Félix, Filipa Leão, Kjersti Kaasa, Patrícia Andrade, Pauliina Palo Rosinda Costa e Sophie Pinto. É para ver até ao próximo domingo.
"IMPORTA NÃO DESESPERAR"
Aos 31 anos, Patrícia Andrade – uma das actrizes de ‘8 Mulheres e 1 Homem-Aranha’ – diz que o mais importante no teatro é “saber esperar sem desesperar”. Ela, que entrou no Conservatório com 27 anos e a saber bem o que queria, diz que há coisas a que é impossível fugir. A vocação é uma delas. “Se a vontade é forte, temos de lhe responder. Mesmo correndo riscos”, confessa, com um grande sorriso estampado no rosto. É das poucas finalistas que já tem currículo profissional.
"COM SORTE E TALENTO"
André Albuquerque é de Viseu mas, quando, aos 20 anos, decidiu ser actor – e deixou a Fisioterapia em definitivo –, quis vir para Lisboa estudar “na melhor escola de actores do País”. Aos 24, e depois de algumas experiências profissionais (vimo-lo recentemente em Almada, em ‘Quarto Minguante’), diz--se confiante no futuro. “Acho que com talento e alguma sorte, a coisa acaba por se fazer...”
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