Margarida Rebelo Pinto – escritora – Dá autógrafos amanhã na Feira do Livro e, há seis anos, deu a volta à vida com... ‘Sei Lá’. Saiba como, já a seguir.
Correio da Manhã – Como era a Margarida antes de ‘Sei Lá’ [1999]?
Margarida Rebelo Pinto – Antes do ‘Sei Lá’ era a mesma pessoa que sou agora, mas com menos certezas. Sabia que o meu primeiro livro iria mudar a minha vida, tinha a certeza de que seria escritora e sonhava viver da escrita mas não tinha a certeza de o conseguir. Há seis anos o mercado literário era completamente diferente e eu andei três anos às voltas com esse primeiro romance. Comecei em 1995 e só o entreguei em 1998, graças ao estímulo do Alçada Baptista. O grande ano de viragem da minha vida foi 1999...
Em seis anos ganhou e perdeu o quê, realmente, importante?
– Em seis anos ganhei leitores em Portugal, no Brasil e na Europa. Perdi algumas ilusões e alguns amigos, mas isso faz parte da vida. São sempre mais os amigos que se perdem do que os que se ganham. Se há uma relação directa com os livros que se escrevem e se vendem não sei... Sei é que o sucesso tem um preço, mas sou hoje muito mais feliz do que alguma vez fui.
A sua relação com leitores e críticas está agora mais próxima ou continua conhecida mas não reconhecida?
– Não sei, acho que a crítica nunca foi consensual desde o primeiro livro. Sempre tive defensores indefectíveis que nunca desiludi.
O sucesso, disse, tornou-a “mais insegura” e “mais humilde”. Ainda é assim?
– Não me sinto mais insegura mas mais humilde, sem dúvida. Acho que trabalho muito mas também tenho sorte porque a vida me corre bem. Sou muito grata à vida. E humilde, sim... O sucesso é uma construção e uma illusão que pode desaparecer de um dia para o outro. A minha vida só é fácil se eu tiver objectivos difíceis!
“O que nos separa são os diferentes caminhos que escolhemos para nos protegermos”, lê-se. O seu, passa pelos livros?
– A solidão é a doença do novo milénio. Estamos sempre em contacto uns com os outros mas comunicamos cada vez menos, estamos cada vez mais virados para nós próprios e menos para aqueles que amamos. Os livros ajudam-me a resolver enigmas e a arrumar fantasmas e ‘Pessoas Como Nós’ não foi excepção.
Reescreve muito ou escreve de uma assentada? Como quem faz uma festa ou um luto?
– Escrevo de uma assentada, várias páginas seguidas, às vezes mais de seis ou sete horas por dia. Revejo cada vez mais. Reescrevo capítulos inteiros, deito outros fora, tenho carrascos de estimação que me ajudam porque limpar é muito mais difícil do que escrever. Nunca é um luto quando acaba mas há um vazio.
Expectativas em relação a este quinto romance e sucessores?
– Espero que os portugueses se revejam mais uma vez em ‘Pessoas Como Nós’, tal como aconteceu com os outros romances. Eu gosto de escrever a vida como ela é e fico feliz quando as pessoas se identificam com a forma como vejo o mundo à minha volta. O livro a seguir está escrito, chama-se ‘Diário da Tua Ausência’ e sai antes do final do ano.
Tem 40 anos e aos sete já ameaçava escrever. Cumpriu e, há seis anos, não faz outra coisa. Com cinco romances no activo, para trás ficam três livros de crónicas, dois argumentos para cinema e duas peças de teatro. Fica mais: publicidade e jornalismo, armas de peso a somar ao engenho e à arte de escrever o que escreve e vender o que vende.
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