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A TRADIÇÃO DO FERRO

A obra de Gaspar Carreira, mestre ferreiro vimaranense que nos últimos anos se tem dedicado à escultura em ferro de vultos importantes da História nacional, está patente no Museu de Alberto Sampaio. Em simultâneo com as magníficas figuras de ferro forjado encontram-se as esculturas em vidro da jovem e promissora artista Teresa Almeida.

21 de abril de 2003 às 00:02

A exposição “Gaspar Carreira: mestre ferreiro vimaranense” manter-se-à aberta até dia 15 de Junho e mostra o produto de um trabalho aprendido com o avô e o pai, quando Gaspar tinha apenas 10 anos.

A tradição de trabalhar o ferro é tão vincada entre a família de Gaspar Carreira, que os magníficos portões de ferro que se encontram no Museu de Alberto Sampaio já foram produzidos pelo seu avô na vetusta oficina da Rua de Donães, em pleno centro histórico de Guimarães.

Hoje, para além de continuar a produzir o que aprendeu com seu pai e avô, incluindo candeeiros, camas e grades de fogão, Gaspar Pinto Carreira resolveu abalançar-se a outros voos e das suas mãos e da sua imaginação saem agora esculturas em ferro representando alguns dos vultos mais significativos da História vimaranense e nacional: N.ª Sr.ª da Oliveira, Mumadona, D. Afonso Henriques, D. João I, D. Manuel e muitos outros que nos ensinaram a admirar.

Guimarães tem, aliás, uma grande tradição ao nível do trabalhar do ferro que data do século X, nomeadamente no mosteiro mandado fazer pela Condessa Mumadona. As primeiras referências a ferreiros e ferrarias datam do século XII, época em que o mosteiro dúplice se transforma em Colegiada, sempre sobre a protecção de Santa Maria.

Os nomes de ferreiros perpassam, aliás, os documentos históricos que o tempo quis preservar na memória dos homens e as obras podem ser observadas nas estreitas ruas vimaranenses ou na Igreja de Nossa Senhora da Oliveira. Hoje, na urbe que é Património da Humanidade, apenas subsiste a oficina de Gaspar Carreira, que já era a de seu avô, mestre e padrinho de quem herdou a profissão e o nome.

MOLDAR O VIDRO

Já a exposição de Teresa Almeida, intitulada “Matéria Transparente”, estará patente até 25 de Maio. Com esta exposição de arte contemporânea, o Museu de Alberto Sampaio e a Galeria Gomes Alves, iniciam uma nova actividade de apoio aos jovens artistas, que decorrerá todos os anos pela altura da Páscoa, no claustro do Museu de Alberto Sampaio.

Teresa Almeida escolheu o vidro não só como suporte, mas também como matéria que transforma e molda, criando obras híbridas onde acontece pintura/escultura.

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