A grande batalha de Mário Moita, músico alentejano natural de Reguengos de Monsaraz, é mostrar ao Mundo uma faceta menos conhecida da canção nacional – o fado ao piano.
Com um trabalho editado recentemente, o artista tem mostrado em vários países o fruto de anos de investigação na área e atribui ao pianista Fortunato Murteira a razão de ter apostado neste estilo. Era dele o espólio de partituras de fado para piano que Mário Moita herdou.
Recorde-se que Fortunato Murteira passava para a pauta as melodias de Alberto Janes que se transformaram em alguns dos mais famosos fados interpretados por Amália Rodrigues como ‘Foi Deus’ ou ‘Vou Dar de Beber à Dor’.
Com este espólio investiu e editou ‘Fado ao Piano’, lançado em Abril passado, no Museu do Fado em Lisboa. “O fado ao piano tem aberto portas em todo o Mundo. Sendo eu artista independente, tive que apostar em algo diferente para poder ser reconhecido”, explicou ao CM Mário Moita, destacando a sua especial ligação ao Japão, onde actua todos os anos desde 2001, paragem de uma agenda que engloba espectáculos nos cinco continentes.
Só no mês de Novembro, Mário Moita actuou no Brasil, em Portugal em Itália e no Japão, onde, aliás, está hoje, o que significa quatro países em três continentes, em menos de um mês. Para 2008 tem previsto o lançamento do CD em vários países.
ORIGEM DO GÉNERO
O fado ao piano surge em 1870, quando os marialvas de Lisboa se conseguiram infiltrar nas vielas e ruas proibidas da capital. Aí ouviram o que era na altura uma canção proibida: o fado.
Levaram-na para os salões da fidalguia onde as senhoras de então, ao piano, só tocavam modinhas ou música clássica e sempre a partir de partituras. Foi então que se começaram a passar as melodias do fado para as pautas, posteriormente compradas pelas intérpretes da nobreza. Ou seja, passou das ruas para os salões.
“São três as novidades que apresento. Os estrangeiros só estão habituados a ouvir mulheres a cantar fado, como ouviram Amália ou, mais recentemente, Mariza. Depois, mostro a vertente romântica e não a faceta triste da canção nacional, e ainda a variação nos instrumentos utilizados”, adiantou Mário Moita que, em conjunto com o CD, lançou um livro que conta a história do género.
Mário Moita nasceu a 9 de Fevereiro de 1971. Desde novo recebeu formação em piano. Natural de Reguengos de Monsaraz é casado e tem uma filha. Licenciou-se em Zootecnia na Universidade de Évora, e após uma fugaz experiência relacionada com a formação académica decidiu enveredar pelo mundo da música em exclusivo. Tem três discos editados, dois de música popular, mas com o mais recente, ‘Fado ao Piano’, decidiu investir numa carreira nacional e internacional.
CARLOS LEITÃO CANTA PELA EUROPA
Carlos Leitão, embora num estilo mais “conservador”, é um dos fadistas nacionais que recentemente mais tem tocado por esse Mundo fora. Só no mês de Outubro, este lisboeta radicado há três anos em Arraiolos, deu cinco espectáculos na Holanda e na Bélgica. A estreia internacional aconteceu por um convite da fadista Cristina Branco, o ano passado, em Amesterdão, e a partir daí o reconhecimento já o levou a estabelecer contactos para novas actuações no estrangeiro, nomeadamente em Madrid. Filho de fadista, tem em nomes como Fernanda Maria, Beatriz da Conceição, Fernando Maurício, Carlos Ramos e Júlio Peres as maiores influências musicais. Noventa e cinco por cento do seu repertório é composto por originais. Nos espectáculos é fadista e acompanha na viola, repartindo o palco com o irmão, Henrique Leitão, na guitarra portuguesa, e com Carlos Meneses, no contrabaixo. Está neste momento a preparar um disco de estúdio que lhe toma grande parte do tempo, actuando ainda uma vez por semana no Café Alentejo em Évora.
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