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Ano louco do cinema luso

Com ‘O Fatalista’, de João Botelho, que hoje chega às salas, o cinema português dá sinais de uma vitalidade singular. A partir de hoje, em cartaz estão três películas lusas e a caminho vem, já nas próximas semanas, ‘Odete’, de João Pedro Rodrigues, uma película premiada em Cannes e Belfort, França.

08 de dezembro de 2005 às 00:00

A par dos êxitos de ‘Alice’ e ‘O Crime do Padre Amaro’, Botelho concorre com este ‘Fatalista’, que sucede aos seus já reconhecidos ‘Tráfico’ (1998) e ‘A Mulher que Acreditava Ser Presidente dos EUA’.

‘Alice’ catapultou para o estrelato o estreante Marco Martins e está nomeado para o prémio Fassbinder – Revelação 2005, dos Prémios de Cinema Europeu. Já ‘O Crime do Padre Amaro’, adaptado da obra de Eça de Queiroz por Carlos Coelho da Silva, tem provado nas salas que as adaptações dos clássicos vingam.

Botelho ‘pega’ também num clássico, desta feita ‘Jacques Le Fataliste’, de Denis Diderot.

E se os originais, como ‘Alice’, atraem público – o filme já foi visto por cerca de 30 mil pessoas em dois meses de exibição – as adaptações parecem imprimir ainda mais projecção ao cinema nacional. Exemplo disso é o megaêxito de ‘O Crime do Padre Amaro’ que, num feito inédito no nosso país, levou já ao cinema mais de 300 mil pessoas, desde a estreia a 27 de Outubro.

Menos expressivo, ‘Manô’ (já saiu de cartaz) mostrou uma outra forma de enaltecer a Sétima Arte em língua lusa, com uma comédia burlesca original que apresentou o cineasta George Felner.

Agora é a vez de João Botelho voltar ao ataque com o seu humor corrosivo nesta obra refinada e burocrática. O texto mantém o poder de outros tempos, agora em imagens bem portuguesas de uma louca viagem por um bizarro Portugal.

“O que está escrito ‘lá em cima’, acontece ‘cá em baixo’”, diz o realizador nas notas de produção do filme. “Mas o que está em baixo está em cima, o que está fora está dentro e o seu contrário é verdadeiro. O bem traz o mal, o mal arrasta o bem e assim por diante, sem fim, sem fim, hoje, ontem, amanhã. E é assim que deve ser”, reforça o homem para quem “as viagens são o cinema”.

Quanto a esta viagem, parece ter agradado em especial aos italianos: “Um agradável exercício de requinte, humor aristocrático e minoritário”, segundo o ‘La Repubblica’, um filme “limpo e melancólico”, garante o ‘Corriere Della Sera’.

Mesmo com um orçamento mais baixo do que Botelho está habituado e depois de duas ‘negas’ do ICAM (Instituto do Cinema Audiovisual e Multimédia), ‘O Fatalista’ estreia em Portugal, depois de já ter viajado pelos Festivais de Veneza, Toronto e S. Paulo. É mais um filme português… com certeza.

OBSCENO E REVOLUCIONÁRIO

Ao volante, o motorista Tiago (Rogério Samora) conduz o seu patrão Jacques (André Gomes) pelos caminhos dos amores, nas estradas de Portugal. No elenco, estão quase todos os bons actores nacionais: Suzana Borges, Rita Blanco, Maria Emília Correia, José Wallenstein, Ana Bustorff, Adriano Luz, Helena Laureano, Margarida Villanova, Adelaide de Sousa… Em fundo, a sedutora e inconfundível voz de Rui Morrisson encarrega-se da narração. Na trama, há sexo, aventura, dramas existenciais, luta de classes… Recuperando memórias de há três séculos, Diderot reinventa-se sob a batuta de Botelho mas continua, garante o realizador, obsceno e revolucionário...

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