RTP realiza este sábado, na Culturgest, em Lisboa, a iniciativa "Séries em Série", na qual antecipa alguns dos projetos de ficção a estrear este ano.
O diretor de programas da RTP1, José Fragoso, considera essencial a existência regular de mecanismos de financiamento à produção audiovisual e que os projetos tenham ambição internacional, disse esta sábado à agência Lusa.
"Eu acho que a ideia de apoiar a produção audiovisual hoje é essencial num país com a nossa escala. (...) É muito importante também que os mecanismos de financiamento, como é o caso agora do [programa] SCRI.PT, tenham um desempenho regular, porque eles são, no caso das coproduções, absolutamente essenciais para que produtores de fora de Portugal tenham interesse também em vir filmar cá", afirmou José Fragoso.
A RTP realiza este sábado, na Culturgest, em Lisboa, a iniciativa "Séries em Série", na qual antecipa alguma das produções e coproduções internacionais de ficção que vão estrear-se este ano nas várias plataformas da televisão pública, entre canais de emissão linear, na plataforma de 'streaming' RTP Play e nas redes sociais.
Entre estreia de episódios, excertos e 'trailers', o "Séries em Série" dá a conhecer, por exemplo, as séries "Jones", realizada por Bruno Gascon, e "Leonor, Marquesa de Alorna", de Tiago Alvarez Marques, que foram apresentadas esta semana no Festival de Cinema de Berlim, "Projecto Global", de Ivo M. Ferreira, e a microsérie "Além do Silêncio", realizada por Manuel Amaro da Costa.
"Faz parte das obrigações que a RTP tem anualmente de investimento na produção independente, e são valores significativos e muito relevantes para a produção audiovisual em Portugal", disse José Fragoso, quando questionado sobre o investimento na produção de ficção.
José Fragoso reconhece "uma evolução muito grande" na última década no investimento em produção audiovisual, até pelo desenvolvimento das plataformas de 'streaming', da tecnologia digital e da penetração de acesso à Internet no consumo doméstico, e que é essencial investir em coproduções internacionais.
"Isso permite dar mais escala aos projetos não só no financiamento, mas depois também na própria distribuição. (...) Porque há muitos financiamentos, há muitos mecanismos de apoio noutros países e, portanto, um país que não tenha capacidade de atrair projetos com essa escala internacional tem mais dificuldade", afirmou.
Esta semana entrou em vigor um decreto-lei que cria o Programa de Financiamento à Indústria do Audiovisual e do Cinema, designado SCRI.PT, com uma dotação de 350 milhões de euros para o quadriénio 2026-2029.
Uma das novidades do SCRI.PT é a inclusão dos mecanismos de incentivos à produção de cinema e audiovisual 'cash rebate' e 'cash refund' -- de atração de produções estrangeiras para o país -, harmonizados e simplificados num só diploma e que estavam no Fundo de Apoio ao Turismo e ao Cinema.
"Temos um conjunto muito alargado de ingredientes que podem atrair aqui produções internacionais e essas produções depois dão visibilidade às nossas paisagens e às nossas pessoas e até à nossa cultura. O que eu espero é que o financiamento seja aplicado em projetos que depois tenham capacidade de projeção internacional", defendeu José Fragoso.
Quando questionado se as plataformas de 'streaming' e o investimento em produção audiovisual têm atraído mais atenção dos espectadores do que a exibição de cinema em sala, o diretor de programas da estação pública diz que é preciso ter dados concretos, nomeadamente sobre hábitos de consumo.
"É evidente que hoje em dia é muito diferente olhar para um televisor, uma 'smart tv', que tem uma dimensão muitas vezes semelhante a algumas salas que nós temos ainda no país, que têm ecrãs muito pequenos, acredito que isso tenha influência. Mas não será apenas isso. Seguramente haverá outros temas que influenciam essa descida", disse.
Na segunda edição da iniciativa "Séries em Série", haverá ainda dois debates, sobre escrita de comédia para televisão e sobre internacionalização do audiovisual português
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